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terça-feira, novembro 6

Dinamarca, Um País Justo Entre As Nações



Em setembro de 1943, ao tomar conhecimento de que os nazistas iriam deportar a população judaica, dinamarqueses de todos os escalões da sociedade e de todos os cantos do país, rapidamente uniram esforços e conseguiram salvar 7.200 judeus, praticamente todos os que viviam no país. Nenhum outro povo, em toda a Europa continental, agiu de tal forma. Como os cidadãos coletivamente agiram para salvar toda a comunidade, o Yad Vashem declarou o país, como um todo, Justo entre as Nações.

Os antecedentes

Em abril de 1933, entre os eventos que a comunidade judaica de Copenhague organizara para celebrar o centenário da sinagoga, estava a visita oficial do rei Cristiano X. Entre o dia do envio do convite e o dia em que a visita deveria ser realizada, Hitler sobe ao poder na Alemanha. Apesar de os líderes comunitários sugerirem ao rei que adiasse sua visita, o monarca compareceu. Não iria deixar que a ascensão de Hitler mudasse suas decisões. Este incidente é sintomático da forma como os dinamarqueses iriam agir em relação aos seus concidadãos judeus face à crescente ameaça alemã.

Apesar de estar disposto a ficar do lado de “seus” judeus, o governo, no entanto, estava relutante em abrir suas fronteiras aos judeus alemães que, com a intensificação das perseguições na Alemanha, queriam deixar o país. O governo alegava que esses últimos não podiam ser enquadrados na categoria de “refugiados políticos”. De modo geral, os vistos lhes eram negados e os funcionários do Departamento de Imigração tinham ordens de mandar de volta os que fossem pegos atravessando a fronteira.

domingo, novembro 4

Uma Obra Extraordinária





Alex Levin vem de Kiev, capital da Ucrânia, onde nasceu em 1975. Mais tarde freqüentou a Art Academy, onde se graduou com honras.

Em 1990, Alex Levin imigrou para Israel, onde vive atualmente na cidade de Herzeliya. 
Com um produtivo e agitado calendário, Alex Levin encontra tempo para crescer como artista e estudar novas técnicas com o professor Baruch Elron.

Os principais estilos de pintura são o surrealismo e o realismo. Alex tem uma grande variedade de obras em óleo, acrílico, carvão, lápis e têmpera.

As obras de Alex Levin são admiradas em todo o mundo e foram compradas para inúmeras coleções particulares, empresariais e institucionais nos Estados Unidos da América, Israel, França, Itália, Ucrânia, Suíça e Bélgica. Um jovem artista, ainda na casa dos trinta anos de idade, foi reconhecido diretamente por muitas personalidades influentes, incluindo o ator e produtor Richard Gere, Madonna, Oscar Peterson e o ex-presidente de Israel Ezer Weizman.

quinta-feira, outubro 11

O Turul e a Tricolor – A Volta do Ódio.


Desde os meus primeiros anos aprendi a amar a Hungria como o país dos meus pais, por conseqüência um país meu. A outra metade de minhas origens. E com o passar dos anos, mergulhei em sua história e cultura. Ensaiei as primeiras e duras palavras daquele idioma quase extraterrestre, fartei-me de suas delícias em tardes na mesa da minha avó, ouvia ao cair da noite as fantásticas histórias do herói Árpad e das grandes conquistas daquele povo único no centro de uma Europa eslavo-germânica. No dia em que nas suas terras pisei pela primeira vez, não me senti estranho, sentia-me em casa. Estavam lá, cada praça, cada ponte, cada lembrança de meus avós... estavam também o Danúbio e a Grande Sinagoga. 

Finalmente pensei na firme possibilidade de ali viver. 

As coisas, porém mudam a cada dia. Nem sempre claro, naquilo que julgamos correto... assim, muda também a Hungria. 

terça-feira, julho 3

A Sinagoga Touro



A Sinagoga Touro em Newport, Rhode Island, é de 1763 e é a mais antiga sinagoga dos Estados Unidos em atividade. É também o mais velho edifício de sinagoga em toda a América do Norte  e  único edifício de sinagoga que data do período colonial americano.

A Sinagoga foi projetada pelo arquiteto britânico Peter Harrison, que residia em Rhode Island, e é considerada sua obra mais notável. O interior é flanqueado por uma série de doze colunas de suporte das varandas. As colunas significam as doze tribos de Israel. Cada coluna é esculpida de uma única árvore. Localizado na Rua Touro Street, a Sinagoga Touro continua a ser uma ativa sinagoga ortodoxa. O edifício está orientado para o leste em direção a Jerusalém. A arca que contém a Torah está na parede leste; acima, um mural representando os Dez Mandamentos em hebraico. Foi pintado pelo artista de Newport Benjamin Howland .

A Sinagoga Touro foi construída entre 1759 e 1763 para a congregação Israel Jeshuat  de Newport, sob a liderança de Isaac Touro. A pedra fundamental foi lançada por Aaron Lopez, um comerciante de destaque em Newport envolvido no negócio de fabricação de velas e outros empreendimentos comerciais. A congregação em si remonta a 1658 quando 15 familias judias de origem espanhola e portuguesa chegaram, provavelmente a partir da Índias Ocidentais e se estabeleceram na região. A pequena comunidade reunia-se em casas particulares durante muitas décadas, antes que pudessem dar se dar ao luxo de construir a sinagoga.  Ela foi formalmente inaugurada em 02 dezembro de 1763.

sexta-feira, junho 8

Bonsai



A arte do bonsai surgiu na China e foi desenvolvida no Oriente, onde é considerada uma expressão da harmonia entre o céu e a terra, o homem e a natureza. Fundamentos espirituais do Bonsai encontram-se na filosofia de vida oriental, fundada no Taoísmo. Cultivar um bonsai requer muito cuidado e atenção, mas como recompensa traz tranqüilidade para a mente, a sensação de estar conectado com a natureza e ainda, realização interior.  Através dele, seu cuidador revive o ritmo das estações, e nutre dentro de si o poder da criatividade que define como ele molda suas árvores.

O “pun-sai” (nome do Bonsai na China), começou  a ser cultivado por monges budistas e taoístas, como uma forma de trazer os elementos e mistérios das florestas, caminhos que percorriam, para o templo. O cultivo das pequenas árvores exigia concentração e colaborava para a prática da meditação. Há inúmeros mitos e lendas em torno do bonsai chinês, com formas trabalhadas para representar paisagens e imagens que remetem a dragões de fogo, aves e serpentes.

Os mestres chineses de hoje fazem uma distinção entre “pun-sai”e “pun-ching”. A palavra “pun-sai” significa uma árvore plantada em um recipiente sem qualquer paisagem, enquanto “pun-ching”, significa uma árvore que está plantada em um recipiente ou em uma bandeja com traços paisagísticos. A palavra “pen-jing” representa ambas as formas de bonsai.

quinta-feira, junho 7

Golem



Este assunto desperta o interesse de muita gente, inclusive crianças, para quem o Beit Chabad já publicou histórias em quadrinhos contando a história do Golem.

O Golem foi criado no ano de 1580 em Praga pelo Rabi Yehuda Loevy, conhecido como o Maharal de Praga.

Yossef, ou Golem, foi criado a partir dos quatro elementos (fogo, terra, água e ar) através do conhecimento cabalístico do Maharal que obteve permissão Divina de recorrer a forças espirituais especiais para criar um ser como o Golem.

Ele era um ser sagrado, sem vida (desprovido de alma), e andava e obedecia a todas as ordens do Maharal. Era extremamente forte, mas não podia se expressar através da fala, pois este dom é privilégio exclusivo das almas Divinas.

Golem foi criado com o objetivo de proteger os judeus que foram ameaçados de extermínio através da intriga de seus inimigos e os salvou poupando muitas vidas. O Golem transformou o pesadelo do extermínio em salvação.

Quando o povo judeu não sofria mais ameaças, sua existência perdeu sentido, pois sua missão já fora cumprida.

Quem visita Praga atualmente poderá entrar na sinagoga do Maharal, local provável onde está enterrado o Golem (dizem que está no sótão), mas a presença de pessoas é vetada neste recinto, porque conforme os relatos, ela perde a própria vida.

Do Chabad.org


Sobrenomes Poloneses

Paul Garfunkel – festa de polacos, 1979

Os Sobrenomes poloneses  nativos, da mesma maneira que sobrenomes de outras nações da Eslovenia (região ao norte da antiga Iugoslavia), podem ser divididos em três grupos principais:

    • Os que esses derivaram de apelidos originais, como nomes de animais, árvores, coisas, profissões,

    • Os que derivaram do nome de registro ou profissão do pai (patronimicos)

    • Os que derivaram de nomes de cidades, aldeias, regiões etc. (toponimicos)

Isto pode parecer simples, mas em muitos casos é quase impossível determinar se um determinado sobrenome é derivado do nome de uma profissão ou do nome da aldeia que tinha esta profissão em sua raiz. Podem ser tratados os sobrenomes derivados de profissões como sócios de qualquer um dos grupos anteriores.

Os idiomas da Eslovenia usam muitos sufixos para formar sobrenomes. Como um exemplo olhemos para a profissão " Kowal " (ferreiro). Considerando que o idioma inglês tem um sobrenome " o Smith ", e o alemão vários deles, Schmitt ", Schmidt " etc. (que só se diferem pela soletração), o idioma polonês pode somar numerosos sufixos (às vezes até mesmo vários no mesmo nome). Então, por parte do sobrenome " Kowal " nós temos Kowalski, Kowalik, Kowalewski, Kowalak, Kowalka, Kowalkowski, e Kowalczyk, para nomear apenas alguns que são freqüentemente mais usado.

quarta-feira, junho 6

O Dia D


O dia 6 de junho de 1944 entrou para a história como o Dia D. Neste dia, os aliados ocidentais iniciaram a ofensiva contra as tropas alemãs no Canal da Mancha.

Durante anos, a decisão por uma grande ofensiva sobre o Canal da Mancha foi motivo de fortes controvérsias entre os aliados ocidentais. Inicialmente, não houve consenso quanto à proposta da União Soviética de abrir uma segunda frente de batalha na Europa Ocidental, a fim de conter as perdas russas nos violentos combates contra as Forças Armadas alemãs.

Somente no final de 1943, decidiu-se em Teerã planejar para a primavera europeia seguinte a chamada Operação Overlord – a maior operação aeronaval da história militar.

Nos meses seguintes, mais de três milhões de soldados norte-americanos, britânicos e canadenses concentraram-se no sul da Inglaterra para atacar os alemães na costa norte da França. Além disso, dez mil aviões, sete mil navios e centenas de tanques anfíbios e outros veículos especiais de guerra foram preparados para a operação.

Operação anunciada pelo rádio

A 6 de junho de 1944, foi anunciada pelo rádio a chegada do Dia D - o Dia da Decisão. A operação ainda havia sido adiada por 24 horas, devido ao mau tempo no Canal da Mancha e, por pouco, não fora suspensa.

sábado, junho 2

Theodor Herzl



Theodor Herzl nasceu em Budapeste, 2 de Maio de 1860 — Edlach, 3 de Julho de 1904, foi um jornalista judeu austríaco que se tornou fundador do moderno Sionismo político. Seu nome em hebraico era Benjamin Ze'ev (בנימין זאב).

A primeira escola de Herzl foi uma escola primária judaica. Aos 10 anos foi enviado a uma escola real, mas saiu dessa escola por conta do anti-semitismo. Depois foi matriculado num colégio evangélico, onde a maioria dos alunos eram judeus e, por isso, não existiam problemas com o anti-semitismo.

Em 1878 sua família se mudou para Viena.

Apesar de ser formado em Direito ele se dedicava mais ao jornalismo e à literatura.

Ao invés de procurar um emprego fixo, começou a viajar e escrever para jornais.
Na sua juventude freqüentou uma associação, chamada Burschenschaft, que aspirava à Unificação alemã, sob o lema: Honra, Liberdade, Pátria. Herzl era um judeu assimilado.

Em 1894 ele interferiu no Caso Dreyfus, que desvelou na Europa o latente anti-semitismo.

Em 1895 ele escreveu "O Estado Judeu". A principal idéia do livro era que a melhor maneira de formar um estado judeu era formar um congresso sionista formado apenas por judeus. Da idéia partiu para a prática e, pouco tempo depois, já havia formado o "Sionismo Político". No dia 29 de agosto de 1897 foi realizado o primeiro congresso sionista desde a diáspora, na Basiléia. Durante o congresso foi criada a Organização Sionista Mundial,e Herzl foi eleito seu presidente.

quinta-feira, maio 24

Adolpho Bloch


Toda trajetória de um dos maiores empresários que o nosso país já teve iniciou-se no dia 8 de outubro de 1908 em Jitomir, uma bela cidade russa banhada por seis rios e com uma população estimada naquela época em aproximadamente 100 mil habitantes. Naquele exato dia nascia Adolpho Bloch.

Em sua infância, Adolpho já convivia com as atividades comerciais. Sua família possuía uma litotipografia e uma fábrica de gelo em sua própria residência, inclusive a companhia de um tabelião, o qual o próprio Bloch devia muito a ele em sua maneira de ser. Mas a sua convivência não se restringia apenas aos serviços profissionais de sua família. Aos nove anos, Adolpho Bloch foi testemunha ocular da Revolução Russa, assistindo às diversas guerras, ao medo e ao pavor, razões levaram o então menino a se transformar em um adulto ainda naquela idade. Com o tratado de Brest-Litovsk, assinalando a paz entre a Rússia e a Alemanha, mais de dez milhões de soldados voltavam desordenadamente do front. Os habitantes de Jitomir, inclusive a família Bloch, foram brindadas com vários progroms promovidos pelo General Petliúra.

O primeiro pogrom do General Petliúra começou logo após a sua chegada a Jitomir, à frente de seu exército de cossacos, tão belos no palco, mas tão ferozes na vida real. A violência contra os judeus foi inaudita. A matança foi geral. Eram oito pessoas na sala da residência da família Bloch quando os cossacos surgiram, desembainhando seus sabres e exigindo ouro, jóias e objetos de valor como resgate da vida daqueles que se encontravam naquela sala. A mãe de Adolpho tinha apenas 45 anos de idade naquela ocasião e já estava preparada para a situação, entregando aos cossacos um porta-jóias. Ninguém foi massacrado naquele instante e local, onde o pequeno Adolpho quase não podia respirar de tanto ódio. E pensava: "se eu pudesse fazer faltar o ar, por um minuto que fosse, os cossacos morreriam e pagariam caro a violência que cometiam".

quarta-feira, maio 23

Adolpho Bloch - 2


Um impressor da oficina dos Blochs tinha um filho que era maquinista do trem que ia para Bieloie-Tserkvi. Ele se mostrou disposto a levar uma outra irmã de Adolpho, chamada Sabina, até lá a fim de trazer seis sacos de trigo. Tiraram as cortinas italianas do apartamento para fazer os sacos. Sabina sentou-se junto ao maquinista, na locomotiva que era a carvão. O trem apitava a cada dez minutos anunciando a partida, mas não saía do lugar. No fim de seis dias, ela finalmente recebeu a notícia de que o trem não ia partir. Voltou para casa com a cara suja de carvão, sem os sacos que lhe foram roubados e com os rins afetados, pois durante os seis dias ela não podia ir ao banheiro com medo de perder a viagem.

Os Blochs desceram na estação anterior à Odessa e foram em frente, até o rio Dniester, em um local onde havia grandes plantações de milho. E lá acamparam esperando o momento propício para atravessar o rio e atingir a Bessarábia. Em uma noite de luar ouviram cerrado tiroteio. Souberam depois que várias famílias que desejavam atravessar o rio haviam sido fuziladas. Veio um mensageiro que os alertaram do perigo. Deviam esperar uma noite de lua nova para tentar a travessia. Isso levaria muitos dias. A sede era horrível, embora a água estivesse a menos de 200 metros. Bebiam gotas, quando podiam.

Finalmente, atravessaram o rio Dniester em uma noite muito escura. Do outro lado os esperavam carroças de palha de milho. Homens barbados e experimentados, vestidos com camisas ucranianas bordadas no peito e nos pulsos, arrumaram-os na parte da frente das carroças, junto aos cavalos, em grupos de três ou quatro pessoas. Na fronteira, os guardas enfiavam enormes garfos na palha. Adolpho ouvia o barulho do ferro na palha mas estava longe, no outro canto da carroça. E assim chegaram a Dobreven, já na Bessárbia. Sairam felizes, com restos de palha nos cabelos e nas roupas. Entraram em um casebre pequeno, onde o chão era de terra batida. Foi ali que Adolpho conheceu a aramatchka iv joper lhubit lest, flor típica da região. E provaram um prato inesquecível, típico da Romênia: o mameligue (angu de fubá). Consagrou-se como um dos pratos mais deliciosos já comido por Adolpho Bloch, pois para ele representava o prato da liberdade. Ali permaneceram uns dias e depois rumaram para o porto de Galátz. Ficaram em um hotel perto do cais. Adolpho gostava de ver as enormes barricas de arenque que exportavam. Aquele região era muito rica.

terça-feira, maio 22

Adolpho Bloch - 3


Saindo de Gênova, um dia depois chegaram a Barcelona. Todos os passageiros podiam descer a terra, menos os de terceira classe. De lá, rumaram para Dancar. Foi a primeira vez que viu negros. Eram crianças simpáticas, falando francês. Os passageiros jogavam moedinhas na água e os garotos mergulhavam para apanhá-las, um espetáculo habitual que fazia parte das distrações da viagem.

Chegando ao Brasil, no início de 1922, a família Bloch instalava-se na cidade do Rio de Janeiro. De bagagem, trouxeram a saúde. Como riqueza, um pilão. Foram morar no Andaraí-Leolpoldo. Achava a cidade muito interessante. Vendia-se tudo na rua: peixeiros com suas varas apoiadas nos ombros, levando as grandes caçambas onde o peixe parecia ter saído naquele instante do mar. O dono do armazém logo oferecia o seu caderno de fiado (sem correção monetária) e as amostras de excelentes sardinhas Vasco da Gama, bacalhau, manteiga, era uma vida diferente. O padeiro, o homem do botequim, todos queriam ajudar. Só se pagava no fim do mês. Isso cativou os Blochs para sempre.

O Brasil se preparava para comemorar o Centenário da Independência e Adolpho freqüentava a Escola Francisco Cabrita, na Rua Major Ávila, perto da Praça Saenz Peña. A professoara chamava-se Carmem, achava-me muito grande e sabido para freqüentar aquela turma. Mal ela sabia que ele estava apaixonado por ela. E em muitas noites ela lhe vinha em sonhos.

Foram depois para a Rua Conselheiro Costa Pereira, 45, nos fundos da Fábrica de Tecidos Corcovado. Em frente passava um canal. A casa tinha uma sala e dois quartos pequenos. No verão, os Blochs costumavam dormir de janelas abertas. Eram, então 10 pessoas e uma empregada mineira, chamada Aurora, uma alma nobre. Obrigava-os a contar para ela os nossos sonhos para fazer sua fé no bicho. Jogando 200 réis ela podia ganhar 1.400. com isso ela fazia a feira, depois do meio-dia, omprando as xepas. À noite, o guarda-noturno apitava, apitava e uma de suas irmãs ia à janela e convidava-o a verificar o que podia ser roubado da casa onde viviam. O guarda ficou amigo da família e às vezes trazia coisas para alegrar o jantar. Ele os ensinou a usar luz sem pagar à Light. Bastava uma moeda de 400 réia que se colocava no lugar do fusível. De dia, retiravam a moeda. Para o fiscal da Light, diziam que quando tivessem dinheiro mandariam ligar a luz de novo. O problema eram as lâmpadas. Muitas vezes tiveram que trocar a lâmpada de um cômodo para outro, porque não tinham condições de ter três lâmpadas. Era luxo demais.

Adolpho Bloch - 4


Na Rua Dona Zulmira, que ficava perto, as batalhas de confete encantavam Adolpho Bloch. Cadeiras na calçada, luzes, as famílias ofereciam croquetes e empadinhas a todos, era uma festa para os olhos, o estômago e o coração. Já com a pequena renda da gráfica e participando da alegria geral, a família Bloch era muito feliz. Ao longo de sua permanência no Brasil, juntavam dinheiro para comprar as passagens que os levariam para os Estados Unidos. Mas a alegria de viver no Brasil foi tomando conta dos Blochs. Um dia, o dinheiro reservado para as passagens serviu para comprar o primeiro Ford Bigode da familia, no Mestre-Blatgé. E assim podiam participar das batalhas de confete e, durante o carnaval, do corso da cidade, que ia da Avenida até o Mourisco, no final de Botafogo. Sua irmã Sabrina casou-se. Depois foi a vez de Fanny. Casou-se com um homem muito bem de vida, pois tinha uma bicicleta para ir trabalhar. Levava-os uma vez por semana à Exposição do Centenário do Brasil, entrando pelos fundos da Rua da Misericórdia. Meses depois, descobriram que ele só os levava nos dias de entrada franca.

Foi lendo o jornal do bonde que Adolpho Bloch ia aprendendo o português. Só se falava no escândalo do colar oferecido pela Associação Comercial ao Presidente Epitácio Pessoa, que havia promovido as festas comemorativas do Centenário. Adolpho se perguntava: "Mas por quê? É a festa mais bonita que vi em minha vida e todos os jornais só falam no escândalo!".

Começou a freqüentar as redações dos jornais, em busca de encomendas. Em A Vanguarda, que bem mais tarde, com outro proprietário, seria um jornal integralista e anti-semita, tornou-se amigo de seus diretores Ozéas Serôa da Mota e Mazzini. A sua rotativa era em frente à Rua do Rosário, 170. Um dia apareceu um didadão português, chamado Oliveira, trazendo uma amostra de papel de seda para servir de invólucro de laranjas. Mazzini perguntou a Adolpho se ele seria capaz de imprimir aquilo. Adolpho ficou de estudar o assunto e conseguiu fabricar o papel de 18 gramas na Fábrica de Papel Companhia Mecânica de São Paulo. E comprou máquinas para imprimir naquele papel o mapa do Brasil. E assim pôde atender à freguesia dos exportadores de laranja: Alberto Coccoza, Karl Fisher, Oliveira & Irmãos e outros. Em menos de seis meses, tinham dinheiro para a primeira casa, na Rua 5 de Julho, 32, agora 82, em Copacabana. Foi construído pela Freire & Sodré e nela gastaram 180 contos de réis.

segunda-feira, maio 21

Adolpho Bloch - 5


Naquele mesmo ano, inaugurava-se a TV Tupi do Rio de Janeiro. A Rádio Nacional ainda era o principal veículo de comunicação do país. Foi nesse qudro que a Manchete surgia em abril de 1952. No início dos anos 50 foram lançadas grandes revistas em todo o mundo e Adolpho as acompanhava de perto. Costumava dizer que o princípio da ficliidade consiste em se trabalhar naquilo que se gosta - e ele gostava de trabalhar naquele ramo. O primeiro número da revista não o agradou, fazendo com que ele mesmo lutasse pelo seu melhoramento. Só começou a compreender um pouco do jornalismo quando do suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. A capa já estava impressa, era do Brigadeiro Eduardo Gomes, tradicional adversário do presidente. Na manhã de 24 de agosto, uma terça-feira, quando Lourival Fontes telefonou para Adolpho para informá-lo sobre o suicídio, este teve de imprimir nova capa com o Presidente Vargas. À tarde, a edição foi para as ruas e à noite já estava esgotada. No ano seguinte, outra lição: Carmem Miranda morrera nos Estados Unidos e viria a ser sepultada no Brasil. O enterro foi em um sábado, com grande acompanhamento e muita emoção popular. Não podia haver dúvida: a capa da semana seria ela. Aconteceu que, no domingo à tarde, a boate Vogue pegou fogo. Dois homens, em desespero, atiraram-se do prédio onde funcionava a boate. A tragédia abalou o Rio e Adolpho teve que mudar a capa, trocando o enterro da Carmem Miranda pelo incêndio da Vogue. A edição se esgotou no mesmo dia.

Para reforçar cada vez mais o andamento de sua revista, Adolpho Bloch fez contratos com agências de fotografias no exterior e teve a oportunidade de cobrir os fatos mundiais. A qualidade do material fotográfico da própria Manchete deu muita vida à revista, que passou a ser conhecida internacionalmente. Nessa altura, o Parque Gráfico de Parada de Lucas ficara pronto e assim melhorariam a qualidade gráfica, aumentando, assim, a produção do semanário.

Depois da morte de Vargas, vieram as crises políticas de 1955. Havia muito assunto em todos os setores e as vendas aumentavam a cada semana. O ex-governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, foi eleito presidente da República. Adolpho Bloch tinha muita simpatia por ele, mas não o conhecia ainda bem.

domingo, maio 20

Adolpho Bloch - 6


Em 1965, com o edifício já erguido mas não acabado, o Mauro Salles o pediu para ali fazer o lançamento do AeroWillys, pois a festa seria muito importante para a sua nova agência de publicidade. Bloch preparou o hall, que ainda estava em concreto. A porta era de tábuas, mas a decoração foi tão luxuosa que começaram a lhe chamar de Cecil B. DeMille. Mauro e Luiz Salles, seus grandes amigos, sempre se lembram desse lançamento que marcou época no Rio e foi o início da ascensão de suas carreiras profissionais.

Bloch mudou-se para a Praia do Russell em novembro de 1968. Na galeria do segundo andar, inaugurou o Museu de Arte Brasileira com quadros e esculturas dos melhores artistas nacionais. O museu serve de foyer para o teatro que hoje leva o seu nome e que foi inaugurado com a peça O Homem de La Mancha, com Bibi Ferreira, Paulo Autran e Grande Otelo, sob direção de Flávio Rangel. Foi um sucesso absoluto. Na matinê da primeira quinta-feira, como de hábito, a platéia era constituída de senhoras.

Caiu forte temporal na cidade e não havia condução para elas. Bloch mandou preparar sanduíches, serviu refrigerantes e providenciou carros que as levassem até em casa. Para ele, nunca foi visto pessoas tão gratas a um empresário teatral.

Bloch gostava tanto da peça que todas as quintas-feiras fazia gazeta e ia assistir à matinê. Aprendeu algumas falas e decorou a canção principal da peça. Certa vez, reparou em um caco de Grande Otelo. Em uma das cenas em que os mouros roubam tudo, o pobre Sancho Pança fica sem nada e ele disse para o público: "Além de ser Furtado, sou obrigado a ficar Callado!" Com esse inesperado caco ele homenageava dois amigos que estavam na platéia: o ex-Ministro Celso Furtado e o escritor Antônio Callado.

Adolpho Bloch - 7


Ele tinha a certeza de que JK era um grande homem e que seu lugar na história estava garantido. Adolpho editou suas memórias, apesar das muitas dificuldades que o governo de então colocou no projeto por ambos criado. Foram publicados os três volumes de suas memórias (A Experiência da Humildade, A Escalada Política e 50 anos em 5, além de um resumo dos três com o título Por Que Construí Brasília.). Posteriormente, Carlos Heitor Cony completou a série com JK - Memorial do Exílio. O governo liberaria a venda dos livros bem mais tarde. Assim, JK não viu a publicação dos dois últimos livros de suas memórias.

Ele freqüentava diariamente a redação de Manchete. Um dos editores, sabendo que ele estava a par de tudo o que se publicava, pediu-lhe que escrevesse resenhas de livros, garantindo-lhe um cachê de 100 cruzeiros a lauda. Ele aceitou o encargo, mas recusou o pagamento. O editor garantiu-lhe que, se não recebesse, a colaboração dele seria suspensa. E, assim, os últimos cachês que JK recebeu foram os de colaborador de Manchete. Assinou críticas de livros sobre economia, sobre ensaios e romances. Era com alegria que ele próprio juntava os recortes de suas colaborações.

Certa vez, Adolpho Bloch procurara o Dr. Israel Pinheiro, presidente da Novacap, dizendo-lhe que faria toda a propaganda de Brasília sem qualquer interesse comercial. À mesma época, a revista O Cruzeiro só publicava matérias pagas sobre a construção da nova capital. Dizia Bloch que desejava pagar ao governo o privilégio de divulgar a epopéia que estava se realizando no Brasil Central.

Em 1958, acompanhado de seu Dirceu do Nascimento, Adolpho Bloch foi procurar o Coronel Affonso Heliodoro, que lhe fez a entrega de numerosas fotografias da construção da cidade. Com elas, foi editada um número especial de Manchete, que esgotou 200 mil exemplares em apenas 24 horas.

A televisão ainda engatinhava e Bloch pensava: "Quantas pessoas estão sabendo o que se passa no coração do Brasil? 50, 100, 150 mil? E o restante dos 75 milhões de habitantes? (a população total do Brasil da época). Foi assim que Brasília e manchete cresceram juntas. Aquela meta, que o próprio JK denominava meta-síntese, fez a indústria de São Paulo funcionar a todo vapor. Os imensos canteiros de obras que se abriam em todos os estados ofereciam mercado de trabalho a todos e todos prosperaram.

sábado, maio 19

Adolpho Bloch - 8

Em sua juventude, Adolpho Bloch leu muito sobre o Caso Dreyfus. Quando lhe perguntam por que abraçou a causa do Presidente JK, costumava responder com o caso Dreyfus. É a história de uma injustiça. Para Bloch, que era judeu, estava habituado a sofrê-la. Por isso mesmo lembrava um caso. Em 1981, estava em Nova Iorque com Zevi Ghivelder. Bloch ia receber uma homenagem do American Jewish Committee. Ao entrarem em um táxi, o motorista lhes transmitiu a notícia que acabara de ouvir no rádio: o Papa João Paulo II sofrera um atentado em Roma e estava em grave perigo de vida. Zevi e Bloch não trocaram uma palavra. Ficaram mudos. Nada falaram, mas pensaram a mesma coisa: e se um judeu maluco fose o autor do atentado? Só respiraram, aliviados, quando souberam que o criminoso era um turco. O final da história é que tudo terminou bem, o Papa goza de boa saúde e, na cerimônia do lava-pés, na Quinta-Feira Santa, lavou os pés de seu quase assassino.

Foi nessa mesma estada em Nova Iorque que, durante uma reunião do American Jewish Committee, foi procurado pelo senhor Norman Alexander, que se apresentou como diretor da Rutherford Company. Bloch conheceu a firma, que estava fabricando máquinas para imprimir latas de alumínio sem costura para bebidas. Era então uma novidade, pois as latas que usavam no Brasil eram de folha-de-flandres e tinham costura. Conhecia a técnica e achou que seria um grande negócio investir no setor. Contudo, não quis fechar o contrato na hora. Disse que regressaria ao Brasil e depois voltariam a falar no assunto.
Quando aqui chegou, encontrou o projeto da televisão bastante adiantado. Ele não estava a par de quase nada. Era grato ao Presidente João Figueiredo, que lhes concedeu os cinco canais depois da necessária licitação pública. Dois anos antes, ele estivera na Itália e adquirira uma Cerutti de última geração, uma rotativa fabulosa, capaz de imprimir 42 mil exemplares por hora a quatro cores.

Pessoalmente, ele preferiria continuar investindo na editora, visitando exposições de maquinas gráficas, de livros, revistas e, com o tempo, concretizando o projeto de fabricar latas de alumínio, uma novidade no mercado brasileiro. Possuía em Água Grande instalações de 30 mil metros quadrados para a nova indústria, cujo ramo é parecido com aquele que sempre foi dele. Para isso, ele tinha recursos mais do que suficientes. Para iniciar a televisão, entre outros projetos, ele tinha de comprar de uma só vez 12 milhões de dólares em filmes que poderiam ser transmitidos apenas três vezes no espaço de dois anos. E em dois anos, os 12 milhões de dólares viraram fumaça.

Relutou consigo mesmo e custou-lhe a idéia da televisão. Mas quando aderiu, e seguindo o seu temperamento, foi para valer. Seu sobrinho Jaquito seguiu para os Estados Unidos e para o Japão, trazendo os equipamentos mais modernos. Aqui, com a sua equipe, começaram a viabilizar o projeto. Tinham cinco canais (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza), que estiveram acrescidas de dezenas de afiliadas que cobriam todo o território nacional.

segunda-feira, maio 14

Em Busca De Diamantes


Um rei tinha presenteado sua filha, com um belo colar de diamantes. O colar tinha desaparecido e as pessoas do reino procuraram por toda a parte sem conseguir encontrá-lo.

Alguém disse que um pássaro poderia tê-lo levado, fascinado pelo brilho. O rei então pediu a todos que voltassem a procurá-lo e anunciou uma recompensa de 500 moedas de ouro para quem o encontrasse.


Um dia, um rapaz caminhava de volta para casa ao longo de um lago ao lado de uma área muito degradada do reino. O lago estava completamente poluído, sujo e com um mau cheiro terrível. Enquanto andava, o rapaz viu algo brilhar no lago e quando olhou viu o colar de diamantes.

terça-feira, maio 8

O Dia da Grande Vitória



ANDREY BUDAEV

Nos dias 8 e 9 de maio, na Rússia, nos países da Europa, América e em todo o mundo civilizado comemora-se a festa da Vitória sobre o fascismo (1945)


No decorrer da Segunda Guerra Mundial, na sua luta contra o fascismo, o povo soviético teve apoio e assistência de outros países. A coalizão anti-hitlerista tornou-se um exemplo do esforço de países de diferentes ideologias e sistemas políticos no enfrentamento de um inimigo comum e mortal.
O núcleo da coalizão anti-hitlerista incluía, além da União Soviética, a Grã-Bretanha, a França e os Estados Unidos. A partir de 1943, da coalizão anti-hitlerista também fez parte o Brasil. A nação brasileira perdeu naquela guerra – sobretudo nas ações de combate nas frentes da Itália – 1.889 homens. Foram afundados 34 de seus navios e abatidos 22 de seus aviões.

domingo, maio 6

Amor De Ostras



Uma ostra que não foi ferida, não produz pérolas.

Pérolas são produtos da dor; resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia.

As pérolas são feridas curadas.

Na parte Interna da concha é encontrada uma substância lustrosa chamada Nácar.  Quando um grão de areia a penetra, as células do Nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas, para proteger o corpo indefeso da ostra.

Uma Ostra que não foi ferida de algum modo, não produz pérolas pois as pérolas são feridas cicatrizadas.
·        Você já se sentiu ferido por palavras rudes de alguém?
·        Já pôs a sua confiança em alguém que lhe enganava?
·        Já foi acusado de ter dito e feito coisas que não disse e não fez?
·        Já foi traído a ponto de ver seus sonhos ruírem?
·        Você já sofreu os duros golpes do preconceito?
·        Já recebeu o troco da indiferença e,
·        de algum modo, sente-se injustiçado ou prejudicado por alguém?


Então,  produza uma pérola.
Cubra suas mágoas com várias camadas de amor.

Infelizmente são poucas as pessoas que se interessam por este tipo de movimento. A maioria aprende apenas a cultivar ressentimentos, deixando feridas abertas, alimentando-as com vários tipos de sentimentos pequenos e, portanto, não permitindo que cicatrizem.

Na prática, o que vemos, são muitas  ostras vazias.  Não porque não tenham sido feridas, mas, porque não souberam perdoar, compreender e transformar a dor em amor,

Eu lhe convido a refletir sobre isso.

Autor Desconhecido