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quinta-feira, junho 21

Eu Mesmo...




"Eu não sei o que eu possa parecer para o mundo, mas para mim eu pareço ter sido apenas como um garoto brincando na praia e me divertindo de vez em quando, encontrando uma pedra arredondada ou uma concha mais bonita que as comuns, enquanto o grande oceano da verdade respousa desconhecido perante mim".

Issac Newton

sábado, junho 16

Nada De Lamentações



"A vida não aprecia aqueles que se lamentam. Ela coloca-os de lado.

Ela ama aqueles que a amam."

A. Rubinstein

sábado, junho 9

In Liverpool



Lembro de crescer ouvindo a Suzanne Vega em nossa casa.

Tardes de sol... de chuva. Invernos e verões.

Meus pais são fans dessa cantora de voz suave. E hoje, para me fazer mais próximo de casa, num final de tarde, de um quase inverno chuvoso, ouço baladas antigas.

quinta-feira, maio 31

Meu Amor Marinheiro


Tenho ciúmes, das verdes ondas do mar
Que teimam em querer beijar teu corpo erguido às marés.

Tenho ciúmes do vento que me atraiçoa
Que vem beijar-te na proa e foge pelo convés.

Tenho ciúmes do luar da lua cheia
Que no teu corpo se enleia, para contigo ir bailar

Tenho ciúmes das ondas que se levantam
E das sereias que cantam, que cantam p'ra te encantar.

Ó meu "amor marinheiro"
Amor dos meus anelos, não deixes que à noite a lua roube a cor aos teus cabelos

Não olhes para as estrelas. Porque elas podem roubar o verde que há nos teus olhos.
Teus olhos, da côr do mar.



Um grande presente na tarde de hoje, de minha estimada amiga Maria Esteves, desde O Porto!

sábado, maio 19

O Órfao Vivo

Recordar os anos da minha juventude na União Soviética no início do Século Vinte traz de volta lembranças esparsas e imagens complicadas. Dentre elas, porém, há alguns quadros completos que estão gravados profundamente em minha mente.

Lembro-me daquela longa noite fria, quando acordei com o som de soluços. Mamãe estava de pé, chorando histericamente, enquanto abanava as mãos no ar. Papai estava de pé, meio vestido, completamente apavorado.

Três jovens vestidos em uniforme estavam andando pelo quarto, examinando os armários e as camas, olhando para as paredes. Vi quando se aproximaram da estante e examinaram cada livro, página por página.

Perguntei-me: O que estão procurando? O que estão procurando? O que eles querem? Vão se sentar e estudar nos livros como fazem mamãe e papai?

E então vi que tinham encontrado aquilo que estavam procurando. Acharam alguns pedaços de papel escritos à mão e uma foto do Rebe de Lubavitch [Rabi Yosef Yitschak Schneersohn, o sexto Rebe – N.E.].

Um apontou para o outro: “Está vendo? Este é Schneersohn!”
Ordenaram então que Papai se vestisse e os acompanhasse. Papai aproximou-se da minha cama, inclinou-se e deu-me um beijo longo, triste. Lágrimas – lágrimas quentes, escaldantes, rolaram pelo seu rosto e caíram na minha testa. Ele então olhou ardentemente para mamãe, com amor nos olhos. Beijou a mezuzá sobre o batente e desapareceu na noite escura.

Somente quando a porta se fechou foi que a minha mente infantil entendeu o quanto era grande a nossa tragédia.

Mamãe começou a chorar: “Oy vey!”

terça-feira, maio 15

Amar




Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, abril 26

Os Prejuizos Da Inércia Diária


E aí que você acorda – e não tem coragem de desligar o despertador. De soneca em soneca, se arrasta até os 45 do segundo tempo. Você vai pro seu trabalho do qual nem gosta tanto – mas é confortável, a grana é razoavelmente boa, seu chefe não dá muito as caras por lá. E no fim do dia volta pra casa, pra encontrar a mulher de quem gosta, mas pela qual já não sente mais aquela paixão motivadora.

E você conta os dias, espera que as horas passem rápido – pra chegar aonde mesmo? Esse é um exemplo típico de uma vida levada pela inércia. Você não vive – você faz peso no mundo.

Até que, certo dia, encontra algo que traz de volta o brilho no olho. Pode ser um esporte, talvez uma nova direção na carreira, talvez um novo amor. E esse algo é como combustível injetado nas veias – de repente, sair da cama não é mais tão difícil, seu trabalho já não é mais tão monótono e aquela mulher te faz querer ir mais longe. Parabéns, você encontrou o que te move. E isso é uma coisa difícil na vida – tem gente que só consegue tal façanha, quando já se aposentou – talvez por ter tido tempo pra olhar pra suas paixões. Nunca é tarde.

quarta-feira, dezembro 14

A Quem Pertence?

Perto de Tóquio vivia um grande samurai,  já idoso que se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar da sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Queria derrotar o samurai e aumentar a sua fama. O velho aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais.

quarta-feira, novembro 23

Nunca Faça O Mal

No início dos ensinamentos do Budha Shakyamuni, todo o seu ensinamento e regras condensavam-se assim, no Verso dos Sete Budhas:

Nunca faça o mal
Faça sempre o bem
Purifique a Mente

Esses são os ensinamentos de todos os Budhas.

terça-feira, novembro 22

A Humildade

O Talmud nos ensina que "uma única moeda no cofre faz barulho". Porém, quando o cofre está cheio, as moedas não soam ao serem chacoalhadas. O que nossos sábios querem ensinar-nos ao observar este fenômeno natural?

Quando o cofre está vazio, com poucas moedas, é possível escutar o ruído. Isto significa que, quando alguém não possui dentro de si muita sabedoria e nem qualidades especiais é justamente esta pessoa quem faz mais barulho. Porém, aquele que está repleto de virtudes, dificilmente ouvimos algo a seu respeito, pois a humildade que o acompanha faz com que seja bem discreto. Quanto maior e mais importante é a pessoa, mais humilde ela tem que ser.

A Humildade II


A natureza do ser humano é feita de tal maneira que quando ele se concentra e pensa em algo vital, não pode desligar-se daquilo e nem consegue dar importância a assuntos menos necessários. Quando alguém acha que merece tudo do bom e do melhor, um carro mais bonito, uma casa mais confortável, roupas de luxo e assim por diante, apesar de não cometer nenhum erro ao desejar tudo isto, estará degradando-se. Pois não terá tempo para pensar nas mitzvot que, a seu ver, não são consideradas algo vital e assim ele chegará a esquecer-se do Eterno. E é esse mesmo o significado da afirmação do Talmud: "D'us diz ao orgulhoso, Eu e você não podemos morar juntos".

segunda-feira, novembro 14

Tradições: Casamento no Marrocos I


Alguns costumes variavam, de comunidade para comunidade, segundo as influências que cada uma absorvera da cultura árabe, berbere e espanhola, ao longo dos séculos. No entanto, a influência dos megorashim - judeus de origem ibérica - apesar de ter sido sempre mais forte nas cidades da costa norte, se espalharia por todo o país. Somente nas pequenas comunidades montanhosas do interior, os toshavim, isto é, "os habitantes do lugar", como eram chamados os judeus que viviam no Marrocos antes da chegada dos sefaradim, apegaram-se tenazmente a suas próprias tradições.

Ainda hoje, vários dos costumes e tradições relacionados à celebração do casamento são seguidos tanto pelos judeus que ainda vivem no país como pelos que o deixaram, estabelecendo-se em outros países.

domingo, novembro 13

Tradições: Casamento no Marrocos II


O "Grande vestido", El-keswa el-kebira

Nas terras onde se fixaram os judeus espanhóis, trajar uma noiva merecia grandes preparativos e suntuosidade, sendo comparado aos preparativos de uma rainha para a cerimônia de sua coroação. O vestido da noiva, rico e elaborado, assemelhava-se aos trajes usados pelas rainhas de Espanha. Chamado de "El Gran vestido", ou pelo seu nome árabe, el-keswa el-kebira, durante séculos este majestoso traje foi usado sob a chupá por grande parte das noivas marroquinas, indício da grande influência dos sefaraditas sobre as comunidades judaicas do Marrocos.

sábado, novembro 12

Tradições: Casamento no Marrocos III


A Ketubá lida sob a chupá era preparada com antecedência, sendo quase sempre escrita à mão, por um sofer. Na cidade de Tetuan era costume mencionar o nome dos noivos seguidos pelo de seus respectivos pais e avós, além do sobrenome de cada um deles. Em Tânger, era costume guardar o contrato de matrimônio no Bet Din, para evitar que um documento tão importante para a noiva pudesse perder-se. Em virtude da forte influência dos judeus ibéricos sobre os judeus tangerinos, usava-se como medida monetária nas Ketubot a moeda espanhola, a dura fuerte.

quinta-feira, novembro 10

Eu E O Mar Oceano...


Nascido no meio de araucárias, que brotam nas montanhas do Paraná, poderia eu ter-me tornado um homem com os pés plantados em terra firme. Um pesquisador, como o meu avô paterno que se embrenhava pelos contrafortes da serra em busca de pequenos pedaços de rochas e cristais que, depois de minuciosamente catalogados, eram orgulhosamente expostos em uma estante, na sala onde recebia os amigos. Se olhasse para além da serra, poderia ter seguido os passos do outro avô e aprendido a amar a arte de cavalgar, o prazer de ver sair da terra escura a vida em verdes folhas. Ele era um homem que adivinhava a chuva com um simples olhar no céu, que observava as sementes postas na palma de sua grande mão, como que se ali estivesse um grande tesouro.  

Dessa época de geologia e agronomia eu trago muitas lembranças. Histórias fantásticas de descobertas e sonhos. Um tempo em que fui um pequeno soberano de um reino imaginário e lá iniciei minhas primeiras conquistas, para depois dominar o Mar Oceano que se abre desde as Colunas de Hércules e que um dia engoliu Atlântida.

domingo, novembro 6

A Árvore Da Felicidade

A árvore da felicidade é uma planta que está muito ligada a uma tradicional lenda japonesa.  

“Existiu no antigo Japão a lenda de uma árvore mágica que diziam trazer felicidade e realizações a todos que passassem por ela. A pequena Haru morava numa aldeia com sua família e vivia em dificuldades, já ouvira sua avó contar essa lenda, tendo o sonho infantil de encontrar essa árvore. Certa manhã, ela e Anisan, seu irmão, brincavam pelas redondezas quando viram um velhinho sentado em uma pedra e dele se aproximaram. Descobriram que aquele homem vinha de muito longe em busca da Árvore da Felicidade…

sexta-feira, outubro 28

Shabbat Shalom


"O Criador criou a criação para doar total bondade a ela, o que significa que nos dá oportunidade de doar e amar. Quando nós fizermos isso, significará que Ele nos preenche com todos os prazeres."

segunda-feira, outubro 24

Cumplicidades



Depois de uma hora e meia ao telefone percebi que não vira o tempo passar.
Uma chamada para apenas acertar o envio de alguns documentos, acabou se transformando em uma longa conversa sobre nossos dias e vidas. Uma boa oportunidade de voltar a ouvir suas opiniões sobre meus projetos e planos, fazer do meu avô um oportuno conselheiro. Eu não podia deixar a oportunidade escapar, porém, lembrei dos fusos horários, de seus hábitos noturnos e encaminhei as despedidas. Ele sorriu e brincou que deveríamos ter outra conversa de Budapest.


quarta-feira, outubro 19

Amizade. Por Vinícius de Morais



Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me.