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sábado, junho 23

Invictus



Do fundo da noite que me envolve
Escura como o inferno de ponta a ponta
Agradeço a qualquer Deus que seja
Pela minha alma inconquistável

Nas garras do destino
Eu não vacilei nem chorei
Sob as pancadas do acaso
Minha cabeça está sangrenta, mas ereta

Além deste lugar tenebroso
Só se percebe o horror das trevas
E ainda assim, o tempo,
Encontra, e há de encontrar-me, destemido

Não importa quão estreito o portão
Nem quão pesado os ensinamentos
Eu sou o mestre do meu destino
Eu sou o comandante da minha alma.

William Ernest Henley (1849-1903)

sábado, junho 9

In Liverpool



Lembro de crescer ouvindo a Suzanne Vega em nossa casa.

Tardes de sol... de chuva. Invernos e verões.

Meus pais são fans dessa cantora de voz suave. E hoje, para me fazer mais próximo de casa, num final de tarde, de um quase inverno chuvoso, ouço baladas antigas.

sexta-feira, junho 8

Bonsai



A arte do bonsai surgiu na China e foi desenvolvida no Oriente, onde é considerada uma expressão da harmonia entre o céu e a terra, o homem e a natureza. Fundamentos espirituais do Bonsai encontram-se na filosofia de vida oriental, fundada no Taoísmo. Cultivar um bonsai requer muito cuidado e atenção, mas como recompensa traz tranqüilidade para a mente, a sensação de estar conectado com a natureza e ainda, realização interior.  Através dele, seu cuidador revive o ritmo das estações, e nutre dentro de si o poder da criatividade que define como ele molda suas árvores.

O “pun-sai” (nome do Bonsai na China), começou  a ser cultivado por monges budistas e taoístas, como uma forma de trazer os elementos e mistérios das florestas, caminhos que percorriam, para o templo. O cultivo das pequenas árvores exigia concentração e colaborava para a prática da meditação. Há inúmeros mitos e lendas em torno do bonsai chinês, com formas trabalhadas para representar paisagens e imagens que remetem a dragões de fogo, aves e serpentes.

Os mestres chineses de hoje fazem uma distinção entre “pun-sai”e “pun-ching”. A palavra “pun-sai” significa uma árvore plantada em um recipiente sem qualquer paisagem, enquanto “pun-ching”, significa uma árvore que está plantada em um recipiente ou em uma bandeja com traços paisagísticos. A palavra “pen-jing” representa ambas as formas de bonsai.

quinta-feira, maio 31

Meu Amor Marinheiro


Tenho ciúmes, das verdes ondas do mar
Que teimam em querer beijar teu corpo erguido às marés.

Tenho ciúmes do vento que me atraiçoa
Que vem beijar-te na proa e foge pelo convés.

Tenho ciúmes do luar da lua cheia
Que no teu corpo se enleia, para contigo ir bailar

Tenho ciúmes das ondas que se levantam
E das sereias que cantam, que cantam p'ra te encantar.

Ó meu "amor marinheiro"
Amor dos meus anelos, não deixes que à noite a lua roube a cor aos teus cabelos

Não olhes para as estrelas. Porque elas podem roubar o verde que há nos teus olhos.
Teus olhos, da côr do mar.



Um grande presente na tarde de hoje, de minha estimada amiga Maria Esteves, desde O Porto!

terça-feira, maio 15

Amar




Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade

When You're Gone


 The Cranberries performing When You're Gone. (C) 1996 The Island Def Jam Music Group

Eu Sou O Último Judeu



Muito já foi escrito e filmado sobre a 2ª Guerra Mundial e o Holocausto. Mesmo assim, vez por outra, aparece algo novo. No caso, refiro-me ao livro "Eu Sou o Último Judeu: Treblinka, 1942-1943", publicado pela Zahar. Se algum escritor de ficção ou algum roteirista de cinema tentasse imaginar, descrever, criar Treblinka, creio que não conseguiria. A realidade que foi Treblinka é esmagadora, inimaginável para os padrões mínimos de civilização e, em vários momentos, pensei em parar a leitura; mas, vale a pena ir em frente e terminar o livro.

O primeiro ponto a esclarecer é a diferença entre campo de concentração e campo de extermínio.

Concentração: sistema de encarceramento dos vários "inimigos" do Estado nazista, tais como judeus, comunistas, homossexuais, ciganos etc. Estas pessoas eram obrigadas a trabalhos forçados em prol de várias empresas alemãs, e milhares morreram nesses campos. 

Extermínio: o objetivo único era matar, exterminar, principalmente os judeus.

terça-feira, maio 8

O Mistério do Khazares


Um belo dia Bulan, rei dos khazares, teve um sonho no qual um anjo o exortou a deixar de ser pagão e adotar o Deus único.

Se assim fizesse, seus filhos gozariam de profunda benção, seus inimigos seriam derrotados e seu reinado duraria “até o fim do mundo”. O rei argumenta ao anjo que de coração seguiria seu conselho, mas seu povo tinha “mente pagã” e precisava da ajuda do príncipe em sua empreitada. O anjo então aparece para o príncipe em sonho e parece convencê-lo. A seguir o rei é novamente visitado pelo anjo em sonho, que dessa vez pede para que o rei construa “um local de adoração em que possa habitar o Senhor”. O rei informa ao anjo que não tem recursos para tanto. O anjo tranqüiliza o rei dizendo que ele deve conduzir suas tropas para um país inimigo, “onde o aguarda um tesouro de prata e outro de ouro”.

Com os tesouros em mãos e os pedidos do anjo satisfeitos, faltava agora adotar uma religião. O rei então mandou buscar um cristão e um muçulmano, já havia um judeu em sua corte. Depois de dias de debate dispersou os três e chamou-os separadamente. Ao cristão perguntou qual religião estaria mais próxima da verdade depois da sua, e o cristão respondeu que o judaísmo. Depois chamou o muçulmano e fez a mesma pergunta, e obteve a mesma resposta. Ao final, Bulan, o rei dos khazares converteu a si e a todo seu povo ao judaísmo.

segunda-feira, maio 7

As Banyas



“Fora da cidade eu consegui ver como os russos usam seus banhos. Apesar do muito frio, eles correram para fora do banho no quintal totalmente nus, vermelhos como lagostas cozidas, e pularam no rio que estava do lado. Após se resfriarem o suficiente, corriam de volta para o banho, mas antes de vestir-se, saíam correndo novamente e ainda por um longo tempo, brincando, corriam nus em meio ao frio e ao vento. Para banya os russos trazem vassouras de bétula com folhas e batem com elas em seu corpo, para melhor penetrar a quentura e os poros abrirem mais. Na Rússia todas as doenças tratam os três médicos.

O primeiro médico é a Banya Russa, sobre que acaba de ser escrito.
Em segundo lugar é a Vodka, na qual bebem como água ou cerveja, todos para quem permitem o saldo bancário.
E o terceiro é o Alho, qual os russos usam não só como tempero para todos os pratos, mas comem cru no meio do dia “.

Assim dizem as anotações salvas de um estrangeiro sobre uma viagem a Moscou. (13 de novembro de 1709).

sábado, maio 5

The Book, The Life, The Afterlife



Dos seis milhões de judeus assassinados no Holocausto o único rosto que conhecemos intimamente pertence a Anne Frank. 

Mas este é apenas o ponto de partida de Anne Frank: The Book, The Life, The Afterlife escrito pela romancista e ensaísta Francine Prose, um soberbo trabalho de história, biografia e crítica. Francine Prose tem algo de novo e importante a dizer acerca da jovem cujo diário foi simultaneamente celebrado e explorado, usado e abusado, e a autora rejeita a noção habitual de Anne Frank como “espevitada mensageira adolescente de paz e amor”. 

Em vez disso, Francine Prose aborda de forma corajosa a identidade judaica de Anne Frank, a sua sexualidade, as posições políticas da sua família e as suas ambições literárias — tudo distorcido, quando não meramente ignorado por todos os que têm usado e abusado do diário para seu proveito próprio. Acima de tudo, Francine Prose permite que olhemos para Anne Frank não apenas como uma vítima de um crime contra a humanidade, mas também como uma jovem escritora com um grande talento.

Indicação do Nuno Josué, na Rua da Judiaria.

A Vida Segue...


Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas.
Que já têm a forma do nosso corpo.
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares.

É o tempo da travessia.
E se não ousarmos fazê-la.
Teremos ficado para sempre.
À margem de nós mesmos.

Fernando Pessoa

quinta-feira, abril 26

Os Prejuizos Da Inércia Diária


E aí que você acorda – e não tem coragem de desligar o despertador. De soneca em soneca, se arrasta até os 45 do segundo tempo. Você vai pro seu trabalho do qual nem gosta tanto – mas é confortável, a grana é razoavelmente boa, seu chefe não dá muito as caras por lá. E no fim do dia volta pra casa, pra encontrar a mulher de quem gosta, mas pela qual já não sente mais aquela paixão motivadora.

E você conta os dias, espera que as horas passem rápido – pra chegar aonde mesmo? Esse é um exemplo típico de uma vida levada pela inércia. Você não vive – você faz peso no mundo.

Até que, certo dia, encontra algo que traz de volta o brilho no olho. Pode ser um esporte, talvez uma nova direção na carreira, talvez um novo amor. E esse algo é como combustível injetado nas veias – de repente, sair da cama não é mais tão difícil, seu trabalho já não é mais tão monótono e aquela mulher te faz querer ir mais longe. Parabéns, você encontrou o que te move. E isso é uma coisa difícil na vida – tem gente que só consegue tal façanha, quando já se aposentou – talvez por ter tido tempo pra olhar pra suas paixões. Nunca é tarde.

sexta-feira, abril 20

Planeta Terra


Toda a beleza das imagens e da música.

Matsuri. Kitaro

Images: NatGeo / BBC
Compilation and editing: Perruci


Rio de Janeiro - Dance Dance



Quero ver você chegar, iluminar a noite
Eu paro só pra ver você deixar de lado toda minha pressa
Quero ver você dançar. O que mais interessa?
Quero ver você no baile, quero ver você na festa

Há algum pensamento bom, qualquer lugar, lugar nenhum
Um desencontro na cidade é a coisa mais do que comum
Eu parado na paisagem sou mais um João, solto na periferia,
Sou de São Sebastião

quarta-feira, dezembro 14

A Quem Pertence?

Perto de Tóquio vivia um grande samurai,  já idoso que se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar da sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Queria derrotar o samurai e aumentar a sua fama. O velho aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais.

quarta-feira, dezembro 7

O Judeu




Que delito fiz eu...


"...Que delito fiz eu para que sinta
O peso desta aspérrima cadeia
Nos horrores de um cárcere penoso,
Em cuja triste, lôbrega morada,
Habita a confusão e o susto mora ?
Mas se acaso, tirana, estrela ímpia,
É culpa o não ter culpa, eu culpa tenho;
Mas se a culpa que tenho não é culpa,
Para que me usurpais com impiedade
O crédito, a esposa e a liberdade ?"


António José da Silva, "O Judeu"
(Rio de Janeiro, 8 de Maio de 1705 - Lisboa, 19 de Outubro de 1739)

terça-feira, dezembro 6

Minha Vida


A verdadeira função do homem é viver, não existir. Eu não gastarei os meus dias a tentar prolongá-los. Usarei o meu tempo.

Jack London

quarta-feira, novembro 16

Liberdade


Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:

- E daí? Eu adoro voar!

Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre


Clarice Lispector