
Monte Belo é um bairro muito próximo do meu. Eles separam-se tão somente pelas ruas quase planas do bairro do Castelo Branco, esse, um logradouro ladeado pelos verdes infinitos do Parque da Cidade que nessa estação se enfeita de roxos, amarelos e brancos dos ipês floridos. Porém, algo bem maior distancia Monte Belo do meu bairro. O meu é um bairro de prisioneiros, de gente que se cerca de muros altos, grades pontiagudas e guaritas em cada esquina. Monte Belo por sua vez, é aberto. As casas se abrem para ruas com muita gente, avôs e avós sentados em baixo das sombras das arvores e gritos de crianças pulando as calçadas irregulares. Algumas ruas, com jardineiras floridas e sacadas debruçadas para o movimento. É um bairro sinuoso, ondulado e dramático. A pobreza não se revela. Ela é afastada das principais vias, espalha-se secretamente em estreitas ruas, nos sopés dos morros, atrás dos prédios comerciais da movimentada Rua do Comércio. Ali se vive em ruas estreitas de portas que dão para outras portas, de casas e sobrados que multiplicam-se em labirintos quase sem fim. É como se uma casbá fosse.