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sábado, junho 23

Invictus



Do fundo da noite que me envolve
Escura como o inferno de ponta a ponta
Agradeço a qualquer Deus que seja
Pela minha alma inconquistável

Nas garras do destino
Eu não vacilei nem chorei
Sob as pancadas do acaso
Minha cabeça está sangrenta, mas ereta

Além deste lugar tenebroso
Só se percebe o horror das trevas
E ainda assim, o tempo,
Encontra, e há de encontrar-me, destemido

Não importa quão estreito o portão
Nem quão pesado os ensinamentos
Eu sou o mestre do meu destino
Eu sou o comandante da minha alma.

William Ernest Henley (1849-1903)

terça-feira, maio 15

Amar




Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade

sábado, maio 5

A Vida Segue...


Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas.
Que já têm a forma do nosso corpo.
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares.

É o tempo da travessia.
E se não ousarmos fazê-la.
Teremos ficado para sempre.
À margem de nós mesmos.

Fernando Pessoa

quarta-feira, dezembro 7

O Judeu




Que delito fiz eu...


"...Que delito fiz eu para que sinta
O peso desta aspérrima cadeia
Nos horrores de um cárcere penoso,
Em cuja triste, lôbrega morada,
Habita a confusão e o susto mora ?
Mas se acaso, tirana, estrela ímpia,
É culpa o não ter culpa, eu culpa tenho;
Mas se a culpa que tenho não é culpa,
Para que me usurpais com impiedade
O crédito, a esposa e a liberdade ?"


António José da Silva, "O Judeu"
(Rio de Janeiro, 8 de Maio de 1705 - Lisboa, 19 de Outubro de 1739)

sábado, maio 1

Dorival Caymi

É doce morrer no mar


É doce morrer no mar, nas ondas verdes do mar

A noite que ele não veio foi de tristeza para mim. Saveiro voltou sozinho, triste noite foi para mim. O marinheiro bonito sereia do mar levou. Nas ondas verdes do mar meu bem, ele se foi afogar. Fez sua cama de noivo no colo de Iemanjá

É doce morrer no mar... nas ondas verdes do mar

Dorival Caymi

quinta-feira, abril 29

Amor Próprio


«O amor-próprio é um animal curioso, que consegue dormir sob os golpes mais cruéis, mas que acorda, ferido de morte perante uma simples beliscadura.»

Alberto Moravia

Alberto Moravia, pseudônimo de Alberto Pincherle (Roma, 28 de novembro de 1907 — Roma, 26 de setembro de 1990) foi um escritor e jornalista italiano. O nome Moravia como será conhecido mundialmente era de sua avó paterna. Seu pai,Carlo Pincherle Moravia, arquiteto e pintor era nascido em Veneza, de uma família hebraica.


Foto - Windows Wallpaper

quinta-feira, abril 15

Não Sou Alegre, Nem Sou Triste. Sou Poeta.

Agrada-me a cada dia o corre-corre em que me meti. Mentiria se dissesse que as vezes não me irrito com uma coisa ou outra. Mas isso é fato da vida. Impossível deixar de acontecer.

O trabalho prático ainda me é o mais agradável.