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quinta-feira, novembro 8

Os Judeus Na Dinamarca Durante A II Guerra Mundial - 3


Em menos de três semanas, 7.200 judeus e 700 familiares não judeus escaparam para a Suécia em embarcações de pescadores locais. Algumas calamidades aconteceram, mas foram poucas. Na própria Gilleleje, a Gestapo conseguiu capturar cerca de 80 judeus escondidos sob o telhado de uma igreja. A viagem de apenas duas milhas também tinha seus riscos, entre outros, de serem interceptados pelos barcos das patrulhas alemãs.O custo total da operação foi de cerca de 12 milhões de coroas dinamarquesas, sendo que os judeus arcaram com aproximadamente entre 6 e 7 milhões. O restante foi obtido com doações particulares e públicas de dinamarqueses. Cada judeu chegou a pagar em média entre 1.000 a 2.000 kronen, mas alguns chegaram a desembolsar 50 mil kronen, uma verdadeira fortuna.

No total, os nazistas conseguiram prender 464 judeus, dentre os quais, Max Friediger, o rabino-chefe de Copenhague. Mas, a Dinamarca não se esqueceu desses judeus e pressionou os nazistas, conseguindo que fossem deportados para o campo de concentração de Theresienstadt. Por piores que fossem as condições de vida em Theresienstadt, campo de concentração “modelo“ montado pelos alemães para efeitos de propaganda, não era um campo de extermínio. Autoridades dinamarquesas também  conseguiram convencer Eichmann  a manter os judeus da Dinamarca fora dos campos de exterminação. Quase todos sobreviveram, em grande parte graças ao apoio recebido pelo serviço civil dinamarquês e organizações religiosas que lhes enviavam mensalmente mais de 700 pacotes com roupas, comidas e vitaminas. Em junho de 1944, devido à insistência dinamarquesa, membros da Cruz Vermelha e dois representantes dinamarqueses inspecionaram o campo de Theresienstadt para se assegurar das condições de seus compatriotas.

terça-feira, julho 3

A Sinagoga Touro



A Sinagoga Touro em Newport, Rhode Island, é de 1763 e é a mais antiga sinagoga dos Estados Unidos em atividade. É também o mais velho edifício de sinagoga em toda a América do Norte  e  único edifício de sinagoga que data do período colonial americano.

A Sinagoga foi projetada pelo arquiteto britânico Peter Harrison, que residia em Rhode Island, e é considerada sua obra mais notável. O interior é flanqueado por uma série de doze colunas de suporte das varandas. As colunas significam as doze tribos de Israel. Cada coluna é esculpida de uma única árvore. Localizado na Rua Touro Street, a Sinagoga Touro continua a ser uma ativa sinagoga ortodoxa. O edifício está orientado para o leste em direção a Jerusalém. A arca que contém a Torah está na parede leste; acima, um mural representando os Dez Mandamentos em hebraico. Foi pintado pelo artista de Newport Benjamin Howland .

A Sinagoga Touro foi construída entre 1759 e 1763 para a congregação Israel Jeshuat  de Newport, sob a liderança de Isaac Touro. A pedra fundamental foi lançada por Aaron Lopez, um comerciante de destaque em Newport envolvido no negócio de fabricação de velas e outros empreendimentos comerciais. A congregação em si remonta a 1658 quando 15 familias judias de origem espanhola e portuguesa chegaram, provavelmente a partir da Índias Ocidentais e se estabeleceram na região. A pequena comunidade reunia-se em casas particulares durante muitas décadas, antes que pudessem dar se dar ao luxo de construir a sinagoga.  Ela foi formalmente inaugurada em 02 dezembro de 1763.

segunda-feira, julho 2

Jodensavanne


Joddensavanne Vila Principal

O antigo território de Jodensavanne e o cemitério em Cassipora são um testemunho único e marcam uma etapa importante na colonização euro-sefardita do continente americano.

Jodensavanne foi no século XVII o maior assentamento judaico no hemisfério ocidental e sua sinagoga, uma imponente construção erguida com tijolos trazidos da Europa e agora em ruínas, é um marco de importância arquitetônica única na América. Não somente pelo fato de ser das mais antigas de todo o continente, mas também por se constituir em um lembrete do pioneirismo no judaísmo americano. 

Jodensavanne foi o primeiro e também único lugar no Novo Mundo, onde os judeus viveram de maneira semi-autônoma, podendo por um largo período de tempo exercer atividades em regime total de liberdade econômica, cultural e religiosa. Judeus fugindo da Inquisição espanhola foram acolhidos no Suriname, primeiro pelos britânicos e mais tarde pelos holandeses, para desenvolver e possuir terra ao longo do rio Suriname. A fim de atrair colonos judeus, o governo colonial ofereceu privilégios especiais, incluindo a liberdade de religião, liberdade de propriedade e o direito à sua própria corte judicial. Os mercadores judeus eram especialmente desejados nas rodas comerciais da época, por seus conhecimentos sobre o comércio internacional e isso facilitou em muito a vida da comunidade. 

História

Os primeiros judeus a se estabelecerem na região chamada Jodensavanne – Savana dos Judeus – data de 1630, porém a origem daqueles homens e mulheres é desconhecida. A primeira menção oficial de colonos judeus chegando ao Suriname de maneira organizada e oficial remonta ao ano de 1650 a partir de Barbados com o aval do Governador-Geral da Índias Ocidentais Inglesas o senhor Francis Willoughby Parham.  Algumas fontes observam que Willoughby convidou a maioria deles para fortalecer a economia da plantação de cana-de-açucar. Os judeus também chegaram para o Suriname a partir do desmantelamento de Pomeroon, que foi a colônia holandesa do Essequibo (hoje, República da Guiana). 

quinta-feira, junho 21

Eu Mesmo...




"Eu não sei o que eu possa parecer para o mundo, mas para mim eu pareço ter sido apenas como um garoto brincando na praia e me divertindo de vez em quando, encontrando uma pedra arredondada ou uma concha mais bonita que as comuns, enquanto o grande oceano da verdade respousa desconhecido perante mim".

Issac Newton

quinta-feira, junho 7

Golem



Este assunto desperta o interesse de muita gente, inclusive crianças, para quem o Beit Chabad já publicou histórias em quadrinhos contando a história do Golem.

O Golem foi criado no ano de 1580 em Praga pelo Rabi Yehuda Loevy, conhecido como o Maharal de Praga.

Yossef, ou Golem, foi criado a partir dos quatro elementos (fogo, terra, água e ar) através do conhecimento cabalístico do Maharal que obteve permissão Divina de recorrer a forças espirituais especiais para criar um ser como o Golem.

Ele era um ser sagrado, sem vida (desprovido de alma), e andava e obedecia a todas as ordens do Maharal. Era extremamente forte, mas não podia se expressar através da fala, pois este dom é privilégio exclusivo das almas Divinas.

Golem foi criado com o objetivo de proteger os judeus que foram ameaçados de extermínio através da intriga de seus inimigos e os salvou poupando muitas vidas. O Golem transformou o pesadelo do extermínio em salvação.

Quando o povo judeu não sofria mais ameaças, sua existência perdeu sentido, pois sua missão já fora cumprida.

Quem visita Praga atualmente poderá entrar na sinagoga do Maharal, local provável onde está enterrado o Golem (dizem que está no sótão), mas a presença de pessoas é vetada neste recinto, porque conforme os relatos, ela perde a própria vida.

Do Chabad.org


sábado, junho 2

Theodor Herzl



Theodor Herzl nasceu em Budapeste, 2 de Maio de 1860 — Edlach, 3 de Julho de 1904, foi um jornalista judeu austríaco que se tornou fundador do moderno Sionismo político. Seu nome em hebraico era Benjamin Ze'ev (בנימין זאב).

A primeira escola de Herzl foi uma escola primária judaica. Aos 10 anos foi enviado a uma escola real, mas saiu dessa escola por conta do anti-semitismo. Depois foi matriculado num colégio evangélico, onde a maioria dos alunos eram judeus e, por isso, não existiam problemas com o anti-semitismo.

Em 1878 sua família se mudou para Viena.

Apesar de ser formado em Direito ele se dedicava mais ao jornalismo e à literatura.

Ao invés de procurar um emprego fixo, começou a viajar e escrever para jornais.
Na sua juventude freqüentou uma associação, chamada Burschenschaft, que aspirava à Unificação alemã, sob o lema: Honra, Liberdade, Pátria. Herzl era um judeu assimilado.

Em 1894 ele interferiu no Caso Dreyfus, que desvelou na Europa o latente anti-semitismo.

Em 1895 ele escreveu "O Estado Judeu". A principal idéia do livro era que a melhor maneira de formar um estado judeu era formar um congresso sionista formado apenas por judeus. Da idéia partiu para a prática e, pouco tempo depois, já havia formado o "Sionismo Político". No dia 29 de agosto de 1897 foi realizado o primeiro congresso sionista desde a diáspora, na Basiléia. Durante o congresso foi criada a Organização Sionista Mundial,e Herzl foi eleito seu presidente.

sábado, maio 19

O Órfao Vivo

Recordar os anos da minha juventude na União Soviética no início do Século Vinte traz de volta lembranças esparsas e imagens complicadas. Dentre elas, porém, há alguns quadros completos que estão gravados profundamente em minha mente.

Lembro-me daquela longa noite fria, quando acordei com o som de soluços. Mamãe estava de pé, chorando histericamente, enquanto abanava as mãos no ar. Papai estava de pé, meio vestido, completamente apavorado.

Três jovens vestidos em uniforme estavam andando pelo quarto, examinando os armários e as camas, olhando para as paredes. Vi quando se aproximaram da estante e examinaram cada livro, página por página.

Perguntei-me: O que estão procurando? O que estão procurando? O que eles querem? Vão se sentar e estudar nos livros como fazem mamãe e papai?

E então vi que tinham encontrado aquilo que estavam procurando. Acharam alguns pedaços de papel escritos à mão e uma foto do Rebe de Lubavitch [Rabi Yosef Yitschak Schneersohn, o sexto Rebe – N.E.].

Um apontou para o outro: “Está vendo? Este é Schneersohn!”
Ordenaram então que Papai se vestisse e os acompanhasse. Papai aproximou-se da minha cama, inclinou-se e deu-me um beijo longo, triste. Lágrimas – lágrimas quentes, escaldantes, rolaram pelo seu rosto e caíram na minha testa. Ele então olhou ardentemente para mamãe, com amor nos olhos. Beijou a mezuzá sobre o batente e desapareceu na noite escura.

Somente quando a porta se fechou foi que a minha mente infantil entendeu o quanto era grande a nossa tragédia.

Mamãe começou a chorar: “Oy vey!”

quinta-feira, maio 17

As Pedras No Cemitério



Desci do ônibus na rodoviária de Leicester e olhei para os táxis ali parados.

Minha velha cidade de Leicester não é mais a mesma. Agora é uma cidade assolada pelo crime, e eu estava me sentindo pouco à vontade.

Não disse a ele que desejava ir para o setor judaico. “Antes segura que arrependida”, sempre fora o meu lema.Entrei no táxi e pedi que me levasse ao principal cemitério de Leicester, não muito distante dali.

Por algum motivo nossa seção jamais tinha sido sinalizada, mesmo antes que a nova onda de antissemitismo surgisse. Talvez se presumisse que numa comunidade tão pequena todos soubessem onde era o cemitério sem precisar de informação. Atualmente o website da sinagoga tem um mapa bastante claro que pode ser consultado, dirigindo os visitantes de fora da cidade para o canto separado. Eu apenas disse ao motorista para estacionar o carro ao longo do caminho bem cuidado e esperar – eu demoraria cerca de meia hora, disse a ele, pois estaria visitando túmulos da família.

Enquanto percorria a trilha que levava ao setor judaico, sentia-me perfeitamente à vontade. O local não era estranho para mim. Fazia essa jornada pelo menos uma vez ao ano, quando venho de Jerusalém para visitar minha mãe em Londres.

sábado, maio 12

A Destruição Dos Judeus Da Romênia II



Com o Rei Carol II,  promulgando a nova constituição fascista de 1938, o clima social e político da Romênia mudou drasticamente. Todos aqueles que pudessem atrapalhar ou por em risco o reinado foram eliminados sumariamente. Assim, a Guarda de Ferro entrou na lista negra do monarca que não tardou a tomar medidas radicais.  

Corneliu Codreanu, o homem forte da Guarada de ferro foi preso, e pouco depois, em 30 de novembro, foi "baleado enquanto tentava escapar", na realidade, ele e vários outros membros da Guarda de Ferro, foram  algemados, colocados em um caminhão, em seguida, estrangulados e lançados no leito de uma estrada deserta no interior da Romênia.

No verão de 1940 a Romênia sucumbiu à pressão alemã e cedeu as regiões da Bessarábia, e parte da Bucovina para a União Soviética, o norte da Transilvânia foi dado para a Hungria, e Dobrudj, no sul para a Bulgária.

O anti-semitismo era agora ainda mais desenfreado do que antes da cessação. Casas de judeus foram saqueadas, lojas queimadas, e muitas sinagogas profanadas e arrasadas. Líderes da comunidade de Bucareste foram presos no edifício conselho da comunidade, enquanto os fiéis foram expulsos das sinagogas pela força.

A Guarda de Ferro nunca se recuperou totalmente da perda de Corneliu Codreanu, apesar da legião ter ganhado poder em setembro de 1940, muitos dos seus líderes mais carismáticos tinham abandonado as suas fileiras por diversos motivos. Em 6 de setembro, o rei Carol abdicou, e Ion Antonescu foi nomeado primeiro-ministro, formando o novo gabinete com o apoio de Horia Sima, que se tornara o comandante da Guarda de Ferro.

Antonescu estabeleceu uma ditadura conservadora e abraçou abertamente as potências do Eixo, declarou um Estado nacionalista-legionário na Romênia. Os membros da Guarda de Ferro passaram a intitular-se de "legionários" e "polícia legionária" foi organizada em linhas nazistas com a ajuda da SS. 

Seguiu-se um período de terrorismo anti-semita que durou sem parar por longos cinco meses. A Legião aumentou o nível de intolerância e adotou uma legislação anti-semita extrema e deu prosseguimento a uma campanha de pogroms e assassinatos políticos feroz.

sexta-feira, maio 11

A Destruição Dos Judeus Da Romênia I



A história judaica na Romênia foi registrada já no século II, quando o Império Romano tinha estabelecido o seu domínio sobre uma área de terra que era então conhecida como Dacia. Inscrições e moedas, bem como túmulos judaicos foram encontrados em lugares como Sarmizegetusa e Orsova.

O Anti-semitismo na Romênia começou por volta de 1579, quando o soberano da Moldávia, Petru Schiopul, ordenou a expulsão dos judeus alegando que estavam arruinando empresas comerciais estabelecidas, e por supostamente explorar a população cristã, a fim de enriquecer-se. A população judaica sefardita principalmente, em seguida, teve de suportar grandes dificuldades durante a guerra russo-turca em 1769-74. Eles foram massacrados e roubados de sua propriedade em quase todas as cidades e aldeias do país. Apesar destes primeiros pogroms, comunidades judaicas ainda conseguiram prosperar. O número de judeus na Transilvânia histórica saltou de dois mil em 1766, para 30.000 em 1880. Em 1825, a população judaica na Valáquia foi estimada entre 5.000 e 10.000 pessoas.

No Congresso de Berlim de 1878, que formalizou a independência da Romênia, as grandes potências fizeram da concessão de direitos civis aos judeus como uma condição para o reconhecimento da independência, apesar da oposição dos delegados romenos e russos. Após debates acalorados o parlamento modificou o artigo da constituição que tornou o cristianismo como fator obrigatório para a cidadania romena, mas afirmou que a naturalização de judeus seriam realizadas individualmente. Isso exigiu o voto de ambas as câmaras do parlamento, processo demorado e complexo.

No entanto, foi somente após a Primeira Guerra Mundial que uma legislação foi aprovada para emancipar os judeus romenos. Apesar da prevalência do anti-semitismo que abundava no país, judeus desempenharam um papel importante na transformação da nação, que ainda se caracterizava por um sistema feudal, para uma economia moderna e também foi uma comunidade muito ativa na vida cultural do país. A Romênia foi o berço do teatro iídiche. Ele também produziu muitos dos primeiros chalutzim* que se estabeleceram em Israel.

* chalutz ou Halutz  (hebraico): Um membro de uma organização de imigrantes israelenses em assentamentos agrícolas.  [Literalmente: pioneiro, lutador] Chalutzim = Plural de Chalutz

sexta-feira, abril 20

Shabbat shalom



Shabbat shalom (שַׁבָּת שָׁלוֹם) cumprimento comum usado no Shabat, sendo muito utilizado em comunidades Mizrahi, Sefaradi e em Israel. Algumas comunidades asquenazi usam o termo iídiche Gut shabbes.

quinta-feira, abril 19

Judeus na Hungria



A história dos judeus na Hungria começa antes do século IX, quando essa ainda era chamada de Panônia e era dominada pelos Romanos. Instalada principalmente nas cidades de Buda, Antiga Buda, Esztergom, Sopron e Tata, a comunidade judaica húngara cresceu a partir do século XI, com a vinda de imigrantes da Alemanha, Boemia e Morávia. 

Exceto por algumas proibições impostas pela Igreja Católica, a vida dos judeus na Hungria foi relativamente fácil até o século XIV. Isso devia-se à proteção concedida por reis como Bela IV, que em 1251 declarou leis que concediam direitos legais aos judeus e facilitavam a imigração judaica. 

Em contrapartida à proteção aos judeus concedida pela realeza húngara, a Igreja, unida a famílias nobres criou leis anti-semitas como o artigo do Touro Dourado de 1222 que tirava títulos de nobreza de judeus. 

Do ano 1342 ao ano 1382 reinou Luís, o Grande que favoreceu a Igreja Apostólica Romana o que fez o anti-semitismo crescer com rapidez até 1360 quando os judeus foram expulsos do país por quatro anos, acusados de propagarem a Peste Negra. 

O século que se sucedeu foi marcado por um anti-semitismo alarmante que culminou em um libelo de sangue que queimou 16 judeus vivos. 

A Independência Húngara chegou ao fim em 1526, com a batalha de Mohács contra o Império Otomano. Esta guerra dividiu o país em três partes (meridional, oriental, e ocidental), o que dispersou os judeus pela península Balcânica. Quinze anos depois, os otomanos conquistaram Buda, Pest e a antiga Hungria Central. Como os judeus não eram recriminados pelos turcos, podendo exercer diversas profissões e tendo liberdade religiosa, a imigração se intensificou para esta região, principalmente de sefaraditas oriundos da Ásia Menor. 

No final do século XVII uma poderosa dinastia Austríaca chamada de Casa de Habsburgo dominou a região húngara, antes controlada pelos turcos. A proteção concedida aos judeus pelo povo otomano desapareceu rapidamente e logo que a cidade de Buda foi tomada pelas tropas dos Habsburgo, o bairro judeu foi saqueado e aproximadamente quinhentos habitantes foram mortos. Mesmo com a ameaça do anti-semitismo sustentado pelos Habsburgos, a população judaico-húngara triplicou em 35 anos (1700- 1735) devido aos emigrantes alemães, poloneses, morávios, austríacos e galécios. 

A condição de vida dos judeus no império dos Habsburgos dependia dos ideais dos imperadores austríacos, como por exemplo a Imperatriz Maria Theresa, que expulsou o povo de Israel de Buda, e seu sucessor José II, que chegou permitir a moradia de judeus em cidades da realeza. 

Em meados 1800 a população de judeus na Hungria se aproximava de 100 mil pessoas, o que possibilitou a criação de novas grandes comunidades como a que se estabelecia no nordeste húngaro, na região de Rutênia-sob-os-Cárpatos. 

Continua...

Fonte: Chazit Hanoar 
Foto: Rui Pinto

Judeus na Hungria II



Devido ao grande número de judeus que se encontravam nas terras húngaras durante o período ápice do Iluminismo Europeu (a partir da década de 30 do séc. XVIII), a influência judaica no comércio e na política se tornou indispensável, o que fez o rei José II aceitar e incentivar os judeus profissionais para dinamizar a classe média nacional. Este incentivo culminou com a aceitação de judeus como cidadãos húngaros nas décadas de 1830 e 1840. Em troca desta emancipação o povo de Israel teve de sofrer uma aculturação compulsória: eram obrigados a trocar de nome, falar alemão e freqüentar escolas laicas.

Em 1848 uma revolução de húngaros nacionalistas unidos a ativistas judeus se levantou contra o Império Austríaco e sua dominação. A revolução fracassou em tornar a Hungria um país independente. No entanto, a Áustria perdeu a guerra contra a Prússia logo após a revolta, o que enfraqueceu os alicerces de sua monarquia. A fraqueza da dinastia de Habsburgo fez com que nascesse uma nova monarquia dualista e o império passou a se chamar de Império Austro-Húngaro, oficializado no Compromisso de 1867. A Hungria passa a ter autonomia interna, o que faz com que a vida dos judeus melhorasse significativamente. Em 1867 os judeus se emanciparam totalmente e em 1895 o judaísmo passa a ser reconhecido como religião e não mais como nacionalidade, o que transforma os judeus em “húngaros de fé mosaica”.

O desenvolvimento do país se deve grande parte à elite judaica que se encarregou da modernização e industrialização. Além de conceber grande parte da intelectualidade húngara, os judeus representavam 25% da população do país na virada do século XIX, afirmando suas posições de cidadãos imprencidíveis para a estabilidade da Hungria.

A boa situação dos judeus burgueses, porém, nada tinha de parecido com os judeus camponeses, que continuavam pobres. Esta diferença entre o povo e a burguesia podia ser vista nos idiomas falados por cada grupo e por seus valores.

Mesmo com direitos garantidos e vidas asseguradas e estáveis, os judeus húngaros enfrentaram políticas anti-semitas neste período, que culminaram em um libelo de sangue em 1892 na cidade de Tiszaeslar.

A boa condição do povo judeu começou a declinar com a Primeira Guerra Mundial, que começou oficialmente em 1914. Nessa guerra 10 mil judeus morreram no campo de batalha defendendo a Hungria.

Com o fim da guerra, em 1919, o Império Austro-Húngaro foi dissolvido e a Hungria tornava-se um país totalmente autônomo novamente. Os ideais comunistas ganharam força e um governo de esquerda tomou o poder, liderado pelo judeu Bela Kun. Este governo acabou no mesmo ano e ataques anti-semitas começaram a acontecer com freqüência. Até que, em 1938 e 1939, duas leis anti-judaicas foram aprovadas, proibindo diversas atividades econômicas e profissionais aos judeus. Além de ocorrer uma emigração em massa para municípios menores, houve inúmeras conversões para o cristianismo.

Em 1941, a Hungria aliou-se à Alemanha nazista e o anti-semitismo se propagou com força desconhecida até o momento. Uma terceira lei anti-judaica foi escrita discernindo judeus como uma raça inferior.

Os massacres começaram e, de julho de 1941 até janeiro de 1942, 71.000 judeus morreram vítimas da guerra e do anti-semitismo.

Também em 1942, o Partido da Cruz de Setas elegeu o fascista Miklos Kallas como primeiro-ministro e foi projetada uma solução para o “problema judaico” na Hungria.

Mais tarde, em 1944, a Hungria foi ocupada pela Alemanha de Hitler, que alegava que os húngaros não deportavam os seus judeus e, por conseqüência, estavam juntos aos Aliados. Neste período, 63.000 judeus foram mortos.

Em Abril do mesmo ano, Adolph Eichmann decretou que 400.000 judeus fossem deportados para guetos e para Auschwitz.

Em 1945 começou a prática das marchas da morte para deportar os judeus para Áustria. Estima-se que 98.000 judeus perderam suas vidas nestas marchas.

No final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, do número anterior de 865 mil judeus húngaros, apenas 260 mil sobreviveram ao massacre do Holocausto.

Após a guerra, a Hungria foi dominada pelos soviéticos. Estes proibiram o Sionismo e qualquer imigração para Israel e impuseram diversas restrições à comunidade, como a substituição do ensino judaico pelo sistema laico de ensino comunista. Até a década de 60 a comunidade judaica húngara contabilizava 90 mil pessoas, mas este número declinava graças ao regime soviético.

Somente em 1989, com o colapso do comunismo soviético, é que as restrições judaicas tiveram fim, neste período Budapeste abrigava cerca de 20 sinagogas.

Hoje em dia, Budapeste sustenta diversas instituições judaicas e movimentos juvenis que tentam enfrentar os dois maiores problemas presentes na sociedade judaica húngara: o anti-semitismo e a assimilação. Em Budapeste, encontra-se a maior sinagoga da Europa, a Sinagoga da Rua Dohany.

Fonte: Chazit Hanoar
Fotos: Mikix e GeoLocations

sábado, dezembro 10

El Rey Dom Pedro l De Portugal

Como elRei mandou degollar dous seus criados, porque roubarom huum judeu e o matarom...

Crónica de D. Pedro I - Rei de Portugal

Este Rei Dom Pedro em quanto viveo, husou muito de justiça sem afeiçom, teendo tal igualdade em fazer direito, que a nenhuum perdoava os erros que fazia, por criaçom nem bem querença que com el ouvesse; e se dizem que aquel he bem aventurado Rei, que per si escodrinha os malles e forças que fazem os pobres, e bem he este do conto de taaes, ca el era ledo de os ouvir, e folgava em lhes fazer direito, de guisa que todos viviam em paz, e era ainda tam zeloso de fazer justiça, espeçiallmente dos que travessos eram, que perante si os mandava meter a tormento, e se confessar nom queriam, el se desvestia de seus reaaes panos, e per sua maão açoutava os malfeitores, e pero que dello muito prasmavom seus conselheiros e outros alguuns, anojavasse de os ouvir, e nom o podiam quitar dello per nenhuuma guisa. 

sexta-feira, dezembro 9

Vivo E Firme... Como Uma Rocha


Moisés tinha 120 anos quando deixou este mundo. Este tempo de vida é considerado o ideal. Na tradição judaica uma forma de abençoar uma pessoa é dizendo: "Que você possa viver até os 120 anos".

quarta-feira, dezembro 7

O Judeu




Que delito fiz eu...


"...Que delito fiz eu para que sinta
O peso desta aspérrima cadeia
Nos horrores de um cárcere penoso,
Em cuja triste, lôbrega morada,
Habita a confusão e o susto mora ?
Mas se acaso, tirana, estrela ímpia,
É culpa o não ter culpa, eu culpa tenho;
Mas se a culpa que tenho não é culpa,
Para que me usurpais com impiedade
O crédito, a esposa e a liberdade ?"


António José da Silva, "O Judeu"
(Rio de Janeiro, 8 de Maio de 1705 - Lisboa, 19 de Outubro de 1739)

terça-feira, dezembro 6

Quatro Cidades Sagradas



As "Quatro Cidades Sagradas", é uma designação usada na tradição judaica, para se referir às cidades de Jerusalém, Hebron, Tiberíades e Safed.

Mapa fora de escala do século XIX, das quatro cidades sagradas do judaísmo, com Jerusalém ocupando o quadrante superior direito, Hebron logo abaixo, o rio Jordão correndo de cima para baixo, Safed no quadrante superior esquerdo, e Tiberíades por baixo. Cada uma das quatro cidades inclui representações dos locais sagrados, assim como túmulos de rabinos famosos e considerados como homens "santos".

Minha Vida


A verdadeira função do homem é viver, não existir. Eu não gastarei os meus dias a tentar prolongá-los. Usarei o meu tempo.

Jack London