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segunda-feira, junho 4

Chanceler de Israel Condena Violência Contra Imigrantes


Imigrantes africanos fazem fila para receber comida quente preparada por voluntários em um parque de Tel Aviv

O ministro das Relações Exteriores de Israel, o ultradireitista Avigdor Lieberman, condenou nesta segunda-feira a violência de cunho racista das últimas semanas cometida contra imigrantes subsaarianos e criticou o ministro do Interior, o ultra-ortodoxo Eli Yishai, por suas recentes declarações xenófobas.

"A história judaica nos obriga a ser excepcionalmente cautelosos nesses assuntos", diz o comunicado do ministro das Relações Exteriores, que surpreendeu a imprensa local com sua inabitual moderação.

Geralmente conhecido por suas posturas direitistas no conflito palestino-israelense, Lieberman condenou de forma taxativa os ataques cometidos em várias cidades de Israel contra imigrantes ilegais, entre eles o da madrugada passada em Jerusalém.

Dez imigrantes da Eritreia ficaram feridos na última madrugada por inalação de fumaça quando um incêndio criminoso atingiu sua casa no centro de Jerusalém, e dois tiveram de ser hospitalizados, confirmou à Agência Efe um porta-voz da polícia.

O jornal "Yedioth Ahronoth" informou que os agressores tinham escrito na parede os dizeres "Vão embora de nosso bairro".

"Não há justificativa para um crime abominável que põe em perigo a vida de pessoas", indica a nota de imprensa da Chancelaria israelense. "Ninguém tem o direito de violar a lei e recorrer à violência contra outros nem pôr em perigo suas vidas".

Horas antes, em uma conferência na cidade de Eilat, o ministro tinha criticado as duras declarações do ministro de Interior, que disse que Israel pertence ao "homem branco" e definiu os cerca de 60 mil imigrantes subsaarianos que vivem em Israel como "trabalhadores migratórios", em contraposição com a definição de "refugiados" defendida por grupos de direitos humanos.

Para o ministro israelense de Exteriores, declarações como as de Yishai "nos fazem retroceder seis meses" nas negociações com os países de origem para que os aceitem outra vez, informa o site do jornal "Ha''aretz".

"Todos esses falatórios não solucionam problemas. Tivemos avanços significativos nas conversas com seus países de origem (dos imigrantes) e, infelizmente, nas duas últimas semanas, todos os nossos esforços foram apagados", lamentou o chanceler.

EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados.

sexta-feira, maio 25

Israel Vira Terra De Exílio Dos Refugiados Da Africa


É uma rua reservada para pedestres, imprensada entre as duas estações rodoviárias de Tel-Aviv. Agências de câmbio, lanchonetes que vendem "shawarma" (sanduíches típicos à base de carne), cabeleireiros especializados nos cortes de tipo "afro", e lojas de equipamentos de telefonia estão enfileirados numa extensão de 300 metros de asfalto em mau estado, numa rua coberta por embalagens gordurosas jogadas ali pelos usuários. Nesta área, não há nenhum surfista estilizado, e tampouco qualquer jovem executivo apressado. Invadido pela cacofonia das buzinas e pelos gases de escapamento dos microônibus, o bairro de Neve Sha'anan há muito foi desertado pela fauna antenada de Tel-Aviv. Aqui, vivem aqueles que foram deixados para trás pelo crescimento econômico israelense, os marginais de toda laia. E, num movimento que vem ocorrendo há um ano, também moram aqui milhares de refugiados, oriundos em sua maioria do Sudão e da Eritréia, os quais conferem a este lugar uma aura improvável de "Little Africa" (Pequena África).

Ismail Ahmed é um desses imigrantes recém-chegados. Este pai de família bonachão que aparenta ter 40 anos é um sobrevivente dos massacres do Darfur. Ele abriu no início de abril um pequeno cibercafé. Nele, as crianças sudanesas costumam reunir-se para intermináveis partidas de videogames on-line. À noite, Ismail dá aulas de inglês e de informática para os seus pais. À medida que ele vai sendo bem-sucedido, Ismail se prepara para renovar seu parque de computadores. Na vitrine do café, ele dependurou uma grinalda de bandeiras cunhadas com a estrela de Davi. Ele assim fez para expressar o seu profundo reconhecimento pelo seu país de adoção. As bandeirinhas são as testemunhas do percurso inesperado que ele efetuou no espaço de um ano.

Foi no dia 1º de julho de 2007 que Ismail pisou pela primeira vez o solo de Israel, junto com a sua mulher Halima e seus quatro filhos. "Faltavam quinze para as 11h da manhã, precisamente", diz. Após uma caminhada extenuante de sete horas pelo deserto do Sinai, a família havia conseguido enganar a vigilância das tropas egípcias e encontrar um caminho para transpor a cerca de arame-farpado que marca a fronteira com o Estado judaico. "Nós empreendemos a viagem a partir do Cairo, amontoados na traseira da picape do nosso passador beduíno; todos nós tínhamos um cobertor sobre a cabeça", conta Ismail. Após terem descansado durante 24 horas num acampamento a pouca distância da fronteira, e após terem enfrentado uma derradeira caminhada por uma trilha de cascalho, os refugiados avistam finalmente o alvo que tanto almejavam.