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quinta-feira, novembro 8

Os Judeus Na Dinamarca Durante A II Guerra Mundial



A comunidade judaica 1940 a 1943

O destino da comunidade judaica durante a ocupação nazista  foi em grande parte determinado pela postura dos dinamarqueses quanto aos judeus de seu país. Na Dinamarca, eles continuaram a ser cidadãos com plenos direitos. Diferentemente do que ocorrera em outras partes, as autoridades locais não exigiram que eles registrassem propriedades e bens – que jamais foram confiscados – nem foram demitidos de seus empregos, além de não haver qualquer restrição à sua movimentação seja de dia ou de noite.

A recusa do governo em adotar medidas discriminatórias contra os judeus e o apoio aberto do rei Cristiano X à comunidade judaica deram origem a uma história apócrifa: quando os nazistas exigiram que os judeus usassem a Estrela de David em suas roupas, o monarca foi o primeiro a usá-la, sendo seguido por toda a população. Na realidade, jamais foi cogitado que os judeus dinamarqueses usassem a Estrela. Apesar de não ser verdadeira, essa história reflete a firme posição do rei em relação aos judeus de seu reino. Os alemães periodicamente questionavam o status dos judeus dinamarqueses, mas o governo sistematicamente respondia que na Dinamarca não havia nenhum “Problema Judaico”. Os judeus eram cidadãos como todos os demais e como tal seriam tratados.

terça-feira, novembro 6

Dinamarca, Um País Justo Entre As Nações



Em setembro de 1943, ao tomar conhecimento de que os nazistas iriam deportar a população judaica, dinamarqueses de todos os escalões da sociedade e de todos os cantos do país, rapidamente uniram esforços e conseguiram salvar 7.200 judeus, praticamente todos os que viviam no país. Nenhum outro povo, em toda a Europa continental, agiu de tal forma. Como os cidadãos coletivamente agiram para salvar toda a comunidade, o Yad Vashem declarou o país, como um todo, Justo entre as Nações.

Os antecedentes

Em abril de 1933, entre os eventos que a comunidade judaica de Copenhague organizara para celebrar o centenário da sinagoga, estava a visita oficial do rei Cristiano X. Entre o dia do envio do convite e o dia em que a visita deveria ser realizada, Hitler sobe ao poder na Alemanha. Apesar de os líderes comunitários sugerirem ao rei que adiasse sua visita, o monarca compareceu. Não iria deixar que a ascensão de Hitler mudasse suas decisões. Este incidente é sintomático da forma como os dinamarqueses iriam agir em relação aos seus concidadãos judeus face à crescente ameaça alemã.

Apesar de estar disposto a ficar do lado de “seus” judeus, o governo, no entanto, estava relutante em abrir suas fronteiras aos judeus alemães que, com a intensificação das perseguições na Alemanha, queriam deixar o país. O governo alegava que esses últimos não podiam ser enquadrados na categoria de “refugiados políticos”. De modo geral, os vistos lhes eram negados e os funcionários do Departamento de Imigração tinham ordens de mandar de volta os que fossem pegos atravessando a fronteira.

quinta-feira, outubro 11

O Turul e a Tricolor – A Volta do Ódio.


Desde os meus primeiros anos aprendi a amar a Hungria como o país dos meus pais, por conseqüência um país meu. A outra metade de minhas origens. E com o passar dos anos, mergulhei em sua história e cultura. Ensaiei as primeiras e duras palavras daquele idioma quase extraterrestre, fartei-me de suas delícias em tardes na mesa da minha avó, ouvia ao cair da noite as fantásticas histórias do herói Árpad e das grandes conquistas daquele povo único no centro de uma Europa eslavo-germânica. No dia em que nas suas terras pisei pela primeira vez, não me senti estranho, sentia-me em casa. Estavam lá, cada praça, cada ponte, cada lembrança de meus avós... estavam também o Danúbio e a Grande Sinagoga. 

Finalmente pensei na firme possibilidade de ali viver. 

As coisas, porém mudam a cada dia. Nem sempre claro, naquilo que julgamos correto... assim, muda também a Hungria. 

quarta-feira, junho 6

O Dia D


O dia 6 de junho de 1944 entrou para a história como o Dia D. Neste dia, os aliados ocidentais iniciaram a ofensiva contra as tropas alemãs no Canal da Mancha.

Durante anos, a decisão por uma grande ofensiva sobre o Canal da Mancha foi motivo de fortes controvérsias entre os aliados ocidentais. Inicialmente, não houve consenso quanto à proposta da União Soviética de abrir uma segunda frente de batalha na Europa Ocidental, a fim de conter as perdas russas nos violentos combates contra as Forças Armadas alemãs.

Somente no final de 1943, decidiu-se em Teerã planejar para a primavera europeia seguinte a chamada Operação Overlord – a maior operação aeronaval da história militar.

Nos meses seguintes, mais de três milhões de soldados norte-americanos, britânicos e canadenses concentraram-se no sul da Inglaterra para atacar os alemães na costa norte da França. Além disso, dez mil aviões, sete mil navios e centenas de tanques anfíbios e outros veículos especiais de guerra foram preparados para a operação.

Operação anunciada pelo rádio

A 6 de junho de 1944, foi anunciada pelo rádio a chegada do Dia D - o Dia da Decisão. A operação ainda havia sido adiada por 24 horas, devido ao mau tempo no Canal da Mancha e, por pouco, não fora suspensa.

domingo, junho 3

Onde Estão Os Cristãos?



Bento 16 é um diplomata: na sua mensagem de Páscoa, o papa apelou ao fim dos confrontos na Síria. E, com cautelas mil, teve ainda uma palavra de preocupação pelos cristãos do mundo inteiro, que sofrem pela sua fé e são perseguidos pelas autoridades locais.

O papa fez bem em levantar o véu. Mas um leitor interessado nos pormenores sórdidos da vaga anti-cristã --nomes, números, crimes etc.-- deve ler a edição pascal da revista "The Spectator". Que, dessa vez, dedica uma especial atenção aos cristãos do Oriente Médio. Primeira conclusão: os cristãos da zona não estão a gostar da "primavera árabe".

Pelo contrário: para muitos deles, a primavera virou inverno e a sobrevivência deixou de ser uma certeza. Conta a "Spectator": nos inícios do século 20, os cristãos árabes representavam 20% da população total. Hoje, andam pelos 5%.

Existem casos para todos os gostos. No Iraque, por exemplo, a invasão americana de 2003 encontrou uma comunidade robusta de 1,4 milhões de cristãos. Passaram-se quase dez anos --e, em dez anos, aconteceu de tudo: a destruição de igrejas (70); a morte de fiéis (cerca de 1000); e a fuga de 800 a 900 mil do país. Hoje, dos 1,4 milhões iniciais, restarão uns 400 mil.

quinta-feira, maio 17

As Pedras No Cemitério



Desci do ônibus na rodoviária de Leicester e olhei para os táxis ali parados.

Minha velha cidade de Leicester não é mais a mesma. Agora é uma cidade assolada pelo crime, e eu estava me sentindo pouco à vontade.

Não disse a ele que desejava ir para o setor judaico. “Antes segura que arrependida”, sempre fora o meu lema.Entrei no táxi e pedi que me levasse ao principal cemitério de Leicester, não muito distante dali.

Por algum motivo nossa seção jamais tinha sido sinalizada, mesmo antes que a nova onda de antissemitismo surgisse. Talvez se presumisse que numa comunidade tão pequena todos soubessem onde era o cemitério sem precisar de informação. Atualmente o website da sinagoga tem um mapa bastante claro que pode ser consultado, dirigindo os visitantes de fora da cidade para o canto separado. Eu apenas disse ao motorista para estacionar o carro ao longo do caminho bem cuidado e esperar – eu demoraria cerca de meia hora, disse a ele, pois estaria visitando túmulos da família.

Enquanto percorria a trilha que levava ao setor judaico, sentia-me perfeitamente à vontade. O local não era estranho para mim. Fazia essa jornada pelo menos uma vez ao ano, quando venho de Jerusalém para visitar minha mãe em Londres.

sábado, maio 12

A Destruição Dos Judeus Da Romênia II



Com o Rei Carol II,  promulgando a nova constituição fascista de 1938, o clima social e político da Romênia mudou drasticamente. Todos aqueles que pudessem atrapalhar ou por em risco o reinado foram eliminados sumariamente. Assim, a Guarda de Ferro entrou na lista negra do monarca que não tardou a tomar medidas radicais.  

Corneliu Codreanu, o homem forte da Guarada de ferro foi preso, e pouco depois, em 30 de novembro, foi "baleado enquanto tentava escapar", na realidade, ele e vários outros membros da Guarda de Ferro, foram  algemados, colocados em um caminhão, em seguida, estrangulados e lançados no leito de uma estrada deserta no interior da Romênia.

No verão de 1940 a Romênia sucumbiu à pressão alemã e cedeu as regiões da Bessarábia, e parte da Bucovina para a União Soviética, o norte da Transilvânia foi dado para a Hungria, e Dobrudj, no sul para a Bulgária.

O anti-semitismo era agora ainda mais desenfreado do que antes da cessação. Casas de judeus foram saqueadas, lojas queimadas, e muitas sinagogas profanadas e arrasadas. Líderes da comunidade de Bucareste foram presos no edifício conselho da comunidade, enquanto os fiéis foram expulsos das sinagogas pela força.

A Guarda de Ferro nunca se recuperou totalmente da perda de Corneliu Codreanu, apesar da legião ter ganhado poder em setembro de 1940, muitos dos seus líderes mais carismáticos tinham abandonado as suas fileiras por diversos motivos. Em 6 de setembro, o rei Carol abdicou, e Ion Antonescu foi nomeado primeiro-ministro, formando o novo gabinete com o apoio de Horia Sima, que se tornara o comandante da Guarda de Ferro.

Antonescu estabeleceu uma ditadura conservadora e abraçou abertamente as potências do Eixo, declarou um Estado nacionalista-legionário na Romênia. Os membros da Guarda de Ferro passaram a intitular-se de "legionários" e "polícia legionária" foi organizada em linhas nazistas com a ajuda da SS. 

Seguiu-se um período de terrorismo anti-semita que durou sem parar por longos cinco meses. A Legião aumentou o nível de intolerância e adotou uma legislação anti-semita extrema e deu prosseguimento a uma campanha de pogroms e assassinatos políticos feroz.

sexta-feira, maio 11

A Destruição Dos Judeus Da Romênia I



A história judaica na Romênia foi registrada já no século II, quando o Império Romano tinha estabelecido o seu domínio sobre uma área de terra que era então conhecida como Dacia. Inscrições e moedas, bem como túmulos judaicos foram encontrados em lugares como Sarmizegetusa e Orsova.

O Anti-semitismo na Romênia começou por volta de 1579, quando o soberano da Moldávia, Petru Schiopul, ordenou a expulsão dos judeus alegando que estavam arruinando empresas comerciais estabelecidas, e por supostamente explorar a população cristã, a fim de enriquecer-se. A população judaica sefardita principalmente, em seguida, teve de suportar grandes dificuldades durante a guerra russo-turca em 1769-74. Eles foram massacrados e roubados de sua propriedade em quase todas as cidades e aldeias do país. Apesar destes primeiros pogroms, comunidades judaicas ainda conseguiram prosperar. O número de judeus na Transilvânia histórica saltou de dois mil em 1766, para 30.000 em 1880. Em 1825, a população judaica na Valáquia foi estimada entre 5.000 e 10.000 pessoas.

No Congresso de Berlim de 1878, que formalizou a independência da Romênia, as grandes potências fizeram da concessão de direitos civis aos judeus como uma condição para o reconhecimento da independência, apesar da oposição dos delegados romenos e russos. Após debates acalorados o parlamento modificou o artigo da constituição que tornou o cristianismo como fator obrigatório para a cidadania romena, mas afirmou que a naturalização de judeus seriam realizadas individualmente. Isso exigiu o voto de ambas as câmaras do parlamento, processo demorado e complexo.

No entanto, foi somente após a Primeira Guerra Mundial que uma legislação foi aprovada para emancipar os judeus romenos. Apesar da prevalência do anti-semitismo que abundava no país, judeus desempenharam um papel importante na transformação da nação, que ainda se caracterizava por um sistema feudal, para uma economia moderna e também foi uma comunidade muito ativa na vida cultural do país. A Romênia foi o berço do teatro iídiche. Ele também produziu muitos dos primeiros chalutzim* que se estabeleceram em Israel.

* chalutz ou Halutz  (hebraico): Um membro de uma organização de imigrantes israelenses em assentamentos agrícolas.  [Literalmente: pioneiro, lutador] Chalutzim = Plural de Chalutz

terça-feira, maio 8

O Dia da Grande Vitória



ANDREY BUDAEV

Nos dias 8 e 9 de maio, na Rússia, nos países da Europa, América e em todo o mundo civilizado comemora-se a festa da Vitória sobre o fascismo (1945)


No decorrer da Segunda Guerra Mundial, na sua luta contra o fascismo, o povo soviético teve apoio e assistência de outros países. A coalizão anti-hitlerista tornou-se um exemplo do esforço de países de diferentes ideologias e sistemas políticos no enfrentamento de um inimigo comum e mortal.
O núcleo da coalizão anti-hitlerista incluía, além da União Soviética, a Grã-Bretanha, a França e os Estados Unidos. A partir de 1943, da coalizão anti-hitlerista também fez parte o Brasil. A nação brasileira perdeu naquela guerra – sobretudo nas ações de combate nas frentes da Itália – 1.889 homens. Foram afundados 34 de seus navios e abatidos 22 de seus aviões.

segunda-feira, maio 7

O Papa Judeu



Durante o ano de 1086 o trono papal permaneceu vago. Depois foi eleito um novo Papa, que tomou o nome de Victor III. De sua origem, nada se sabia. Após um breve reinado de dois anos, desapareceu misteriosamente. O relato que se inicia, segundo uma crença bem difundida, refere-se ao Papa que foi aquele a quem chamaram “o Papa judeu”.

A antiga cidade de Mainz, nas margens do Reno, era célebre pelos grandes e santos rabinos que ali viviam. Há cerca de novecentos anos, residia lá um jovem erudito no Talmud e poeta religioso, que adquiriu grande notoriedade, tanto pela sua piedade e erudição, como por seus poemas religiosos. Chamava-se Rabi Shimon Hagadol (o Grande).

Certo dia em que se encontrava concentrado na composição de um novo poema, aproximou-se dele silenciosamente seu filho Elchanan, de quatro anos e viu o papel que se encontrava sobre a escrivaninha.
— Oh, papai! — exclamou o pequeno — escreveste meu nome no início de este poema!
— Sim, querido; este poema começa com as palavras: E-l Chanan Nachalató que significam: “D”us está cheio de graça para com seus filhos”. Observe, cada judeu tem parte na herança de D”us, e quando algum de nós se afasta de seu caminho, ou seja, quando se alheia da vida religiosa judaica, D”us em Sua grande misericórdia para com Seus filhos, os ajuda a retornar.

quinta-feira, abril 19

Judeus na Hungria



A história dos judeus na Hungria começa antes do século IX, quando essa ainda era chamada de Panônia e era dominada pelos Romanos. Instalada principalmente nas cidades de Buda, Antiga Buda, Esztergom, Sopron e Tata, a comunidade judaica húngara cresceu a partir do século XI, com a vinda de imigrantes da Alemanha, Boemia e Morávia. 

Exceto por algumas proibições impostas pela Igreja Católica, a vida dos judeus na Hungria foi relativamente fácil até o século XIV. Isso devia-se à proteção concedida por reis como Bela IV, que em 1251 declarou leis que concediam direitos legais aos judeus e facilitavam a imigração judaica. 

Em contrapartida à proteção aos judeus concedida pela realeza húngara, a Igreja, unida a famílias nobres criou leis anti-semitas como o artigo do Touro Dourado de 1222 que tirava títulos de nobreza de judeus. 

Do ano 1342 ao ano 1382 reinou Luís, o Grande que favoreceu a Igreja Apostólica Romana o que fez o anti-semitismo crescer com rapidez até 1360 quando os judeus foram expulsos do país por quatro anos, acusados de propagarem a Peste Negra. 

O século que se sucedeu foi marcado por um anti-semitismo alarmante que culminou em um libelo de sangue que queimou 16 judeus vivos. 

A Independência Húngara chegou ao fim em 1526, com a batalha de Mohács contra o Império Otomano. Esta guerra dividiu o país em três partes (meridional, oriental, e ocidental), o que dispersou os judeus pela península Balcânica. Quinze anos depois, os otomanos conquistaram Buda, Pest e a antiga Hungria Central. Como os judeus não eram recriminados pelos turcos, podendo exercer diversas profissões e tendo liberdade religiosa, a imigração se intensificou para esta região, principalmente de sefaraditas oriundos da Ásia Menor. 

No final do século XVII uma poderosa dinastia Austríaca chamada de Casa de Habsburgo dominou a região húngara, antes controlada pelos turcos. A proteção concedida aos judeus pelo povo otomano desapareceu rapidamente e logo que a cidade de Buda foi tomada pelas tropas dos Habsburgo, o bairro judeu foi saqueado e aproximadamente quinhentos habitantes foram mortos. Mesmo com a ameaça do anti-semitismo sustentado pelos Habsburgos, a população judaico-húngara triplicou em 35 anos (1700- 1735) devido aos emigrantes alemães, poloneses, morávios, austríacos e galécios. 

A condição de vida dos judeus no império dos Habsburgos dependia dos ideais dos imperadores austríacos, como por exemplo a Imperatriz Maria Theresa, que expulsou o povo de Israel de Buda, e seu sucessor José II, que chegou permitir a moradia de judeus em cidades da realeza. 

Em meados 1800 a população de judeus na Hungria se aproximava de 100 mil pessoas, o que possibilitou a criação de novas grandes comunidades como a que se estabelecia no nordeste húngaro, na região de Rutênia-sob-os-Cárpatos. 

Continua...

Fonte: Chazit Hanoar 
Foto: Rui Pinto

Judeus na Hungria II



Devido ao grande número de judeus que se encontravam nas terras húngaras durante o período ápice do Iluminismo Europeu (a partir da década de 30 do séc. XVIII), a influência judaica no comércio e na política se tornou indispensável, o que fez o rei José II aceitar e incentivar os judeus profissionais para dinamizar a classe média nacional. Este incentivo culminou com a aceitação de judeus como cidadãos húngaros nas décadas de 1830 e 1840. Em troca desta emancipação o povo de Israel teve de sofrer uma aculturação compulsória: eram obrigados a trocar de nome, falar alemão e freqüentar escolas laicas.

Em 1848 uma revolução de húngaros nacionalistas unidos a ativistas judeus se levantou contra o Império Austríaco e sua dominação. A revolução fracassou em tornar a Hungria um país independente. No entanto, a Áustria perdeu a guerra contra a Prússia logo após a revolta, o que enfraqueceu os alicerces de sua monarquia. A fraqueza da dinastia de Habsburgo fez com que nascesse uma nova monarquia dualista e o império passou a se chamar de Império Austro-Húngaro, oficializado no Compromisso de 1867. A Hungria passa a ter autonomia interna, o que faz com que a vida dos judeus melhorasse significativamente. Em 1867 os judeus se emanciparam totalmente e em 1895 o judaísmo passa a ser reconhecido como religião e não mais como nacionalidade, o que transforma os judeus em “húngaros de fé mosaica”.

O desenvolvimento do país se deve grande parte à elite judaica que se encarregou da modernização e industrialização. Além de conceber grande parte da intelectualidade húngara, os judeus representavam 25% da população do país na virada do século XIX, afirmando suas posições de cidadãos imprencidíveis para a estabilidade da Hungria.

A boa situação dos judeus burgueses, porém, nada tinha de parecido com os judeus camponeses, que continuavam pobres. Esta diferença entre o povo e a burguesia podia ser vista nos idiomas falados por cada grupo e por seus valores.

Mesmo com direitos garantidos e vidas asseguradas e estáveis, os judeus húngaros enfrentaram políticas anti-semitas neste período, que culminaram em um libelo de sangue em 1892 na cidade de Tiszaeslar.

A boa condição do povo judeu começou a declinar com a Primeira Guerra Mundial, que começou oficialmente em 1914. Nessa guerra 10 mil judeus morreram no campo de batalha defendendo a Hungria.

Com o fim da guerra, em 1919, o Império Austro-Húngaro foi dissolvido e a Hungria tornava-se um país totalmente autônomo novamente. Os ideais comunistas ganharam força e um governo de esquerda tomou o poder, liderado pelo judeu Bela Kun. Este governo acabou no mesmo ano e ataques anti-semitas começaram a acontecer com freqüência. Até que, em 1938 e 1939, duas leis anti-judaicas foram aprovadas, proibindo diversas atividades econômicas e profissionais aos judeus. Além de ocorrer uma emigração em massa para municípios menores, houve inúmeras conversões para o cristianismo.

Em 1941, a Hungria aliou-se à Alemanha nazista e o anti-semitismo se propagou com força desconhecida até o momento. Uma terceira lei anti-judaica foi escrita discernindo judeus como uma raça inferior.

Os massacres começaram e, de julho de 1941 até janeiro de 1942, 71.000 judeus morreram vítimas da guerra e do anti-semitismo.

Também em 1942, o Partido da Cruz de Setas elegeu o fascista Miklos Kallas como primeiro-ministro e foi projetada uma solução para o “problema judaico” na Hungria.

Mais tarde, em 1944, a Hungria foi ocupada pela Alemanha de Hitler, que alegava que os húngaros não deportavam os seus judeus e, por conseqüência, estavam juntos aos Aliados. Neste período, 63.000 judeus foram mortos.

Em Abril do mesmo ano, Adolph Eichmann decretou que 400.000 judeus fossem deportados para guetos e para Auschwitz.

Em 1945 começou a prática das marchas da morte para deportar os judeus para Áustria. Estima-se que 98.000 judeus perderam suas vidas nestas marchas.

No final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, do número anterior de 865 mil judeus húngaros, apenas 260 mil sobreviveram ao massacre do Holocausto.

Após a guerra, a Hungria foi dominada pelos soviéticos. Estes proibiram o Sionismo e qualquer imigração para Israel e impuseram diversas restrições à comunidade, como a substituição do ensino judaico pelo sistema laico de ensino comunista. Até a década de 60 a comunidade judaica húngara contabilizava 90 mil pessoas, mas este número declinava graças ao regime soviético.

Somente em 1989, com o colapso do comunismo soviético, é que as restrições judaicas tiveram fim, neste período Budapeste abrigava cerca de 20 sinagogas.

Hoje em dia, Budapeste sustenta diversas instituições judaicas e movimentos juvenis que tentam enfrentar os dois maiores problemas presentes na sociedade judaica húngara: o anti-semitismo e a assimilação. Em Budapeste, encontra-se a maior sinagoga da Europa, a Sinagoga da Rua Dohany.

Fonte: Chazit Hanoar
Fotos: Mikix e GeoLocations

sábado, outubro 22

Quem Matou A Gilda?

Não se trata da famosa personagem do cinema americano. Não conhece? Não é do nosso tempo, talvez o seu pai lembre, com certeza o seu avô abrirá um largo sorriso. Morena sexy, linda, charmosa...


Morreu o assunto.

Voltemos a Gilda desse post. Pois bem, Gilda era uma pessoa que trabalhava em um dos bairros da zona sul da cidade. Durante o dia prestava serviços de consultora de beleza – trabalhava em um salão - e durante a noite prestava serviços de acompanhamento.


sexta-feira, outubro 21

Ver Chifres Em Cabeça de Cavalo


A volta da insanidade.

A cada dia me pego acreditando que o tempo passa e nada muda. Sim, é verdade que passamos por alguns momentos breves de calmaria, pequenos intervalos onde as mentes se deixam tomar pela razão, mas infelizmente isso dura muito pouco e logo uma sombra teima em pairar sobre alguns. Esses acabam trazendo a escuridão nos pensamentos e são seguidos por aqueles que se vêem incapazes de definir um pensamento próprio.