Durante o ano de 1086 o trono papal permaneceu vago. Depois
foi eleito um novo Papa, que tomou o nome de Victor III. De sua origem, nada se
sabia. Após um breve reinado de dois anos, desapareceu misteriosamente. O
relato que se inicia, segundo uma crença bem difundida, refere-se ao Papa que
foi aquele a quem chamaram “o Papa judeu”.
A antiga cidade de Mainz, nas margens do Reno, era célebre
pelos grandes e santos rabinos que ali viviam. Há cerca de novecentos anos,
residia lá um jovem erudito no Talmud e poeta religioso, que adquiriu grande
notoriedade, tanto pela sua piedade e erudição, como por seus poemas
religiosos. Chamava-se Rabi Shimon Hagadol (o Grande).
Certo dia em que se encontrava concentrado na composição de
um novo poema, aproximou-se dele silenciosamente seu filho Elchanan, de quatro
anos e viu o papel que se encontrava sobre a escrivaninha.
— Oh, papai! — exclamou o pequeno — escreveste meu nome no
início de este poema!
— Sim, querido; este poema começa com as palavras: E-l
Chanan Nachalató que significam: “D”us está cheio de graça para com seus
filhos”. Observe, cada judeu tem parte na herança de D”us, e quando algum de
nós se afasta de seu caminho, ou seja, quando se alheia da vida religiosa
judaica, D”us em Sua grande misericórdia para com Seus filhos, os ajuda a
retornar.