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quinta-feira, outubro 11

O Turul e a Tricolor – A Volta do Ódio.


Desde os meus primeiros anos aprendi a amar a Hungria como o país dos meus pais, por conseqüência um país meu. A outra metade de minhas origens. E com o passar dos anos, mergulhei em sua história e cultura. Ensaiei as primeiras e duras palavras daquele idioma quase extraterrestre, fartei-me de suas delícias em tardes na mesa da minha avó, ouvia ao cair da noite as fantásticas histórias do herói Árpad e das grandes conquistas daquele povo único no centro de uma Europa eslavo-germânica. No dia em que nas suas terras pisei pela primeira vez, não me senti estranho, sentia-me em casa. Estavam lá, cada praça, cada ponte, cada lembrança de meus avós... estavam também o Danúbio e a Grande Sinagoga. 

Finalmente pensei na firme possibilidade de ali viver. 

As coisas, porém mudam a cada dia. Nem sempre claro, naquilo que julgamos correto... assim, muda também a Hungria. 

sábado, junho 2

Theodor Herzl



Theodor Herzl nasceu em Budapeste, 2 de Maio de 1860 — Edlach, 3 de Julho de 1904, foi um jornalista judeu austríaco que se tornou fundador do moderno Sionismo político. Seu nome em hebraico era Benjamin Ze'ev (בנימין זאב).

A primeira escola de Herzl foi uma escola primária judaica. Aos 10 anos foi enviado a uma escola real, mas saiu dessa escola por conta do anti-semitismo. Depois foi matriculado num colégio evangélico, onde a maioria dos alunos eram judeus e, por isso, não existiam problemas com o anti-semitismo.

Em 1878 sua família se mudou para Viena.

Apesar de ser formado em Direito ele se dedicava mais ao jornalismo e à literatura.

Ao invés de procurar um emprego fixo, começou a viajar e escrever para jornais.
Na sua juventude freqüentou uma associação, chamada Burschenschaft, que aspirava à Unificação alemã, sob o lema: Honra, Liberdade, Pátria. Herzl era um judeu assimilado.

Em 1894 ele interferiu no Caso Dreyfus, que desvelou na Europa o latente anti-semitismo.

Em 1895 ele escreveu "O Estado Judeu". A principal idéia do livro era que a melhor maneira de formar um estado judeu era formar um congresso sionista formado apenas por judeus. Da idéia partiu para a prática e, pouco tempo depois, já havia formado o "Sionismo Político". No dia 29 de agosto de 1897 foi realizado o primeiro congresso sionista desde a diáspora, na Basiléia. Durante o congresso foi criada a Organização Sionista Mundial,e Herzl foi eleito seu presidente.

quarta-feira, maio 9

Ponte Chain - Budapest

Construída em 1849, a Ponte Chain, também chamada de Ponte das Correntes, com seus 375 metros, foi a primeira ligação permanente entre Buda e Peste, e é um dos símbolos mais reconhecidos da capital húngara.

Um par de leões foi adicionado em cada uma das bordas da ponte em 1852. Uma curiosa polêmica dá conta de que os leões esculpidos não têm língua, mas segundo as fontes oficiais, a língua foi esculpida, mas, no entanto não é comumente avistada pelo fato de que os observadores estão abaixo do nível das estátuas. 

Polêmicas acerca das línguas dos famosos felinos à parte, o fato é que a travessia da ponte é um dos passeios mais populares da cidade, tanto de dia quanto de noite, e proporcionam uma belíssima vista de todos os principais monumentos da cidade, e é claro, do Rio Danúbio, que pomposamente faz às vezes de avenida principal da bela capital húngara.

Digno de nota é o fato de que o rio encontra-se em ótimo estado: limpo, com peixes e muitas aves aquáticas mesmo no trecho urbano. É um ótimo exemplo de que o crescimento de uma metrópole não necessariamente deveria significar a degradação do ambiente.

quinta-feira, abril 19

Judeus na Hungria



A história dos judeus na Hungria começa antes do século IX, quando essa ainda era chamada de Panônia e era dominada pelos Romanos. Instalada principalmente nas cidades de Buda, Antiga Buda, Esztergom, Sopron e Tata, a comunidade judaica húngara cresceu a partir do século XI, com a vinda de imigrantes da Alemanha, Boemia e Morávia. 

Exceto por algumas proibições impostas pela Igreja Católica, a vida dos judeus na Hungria foi relativamente fácil até o século XIV. Isso devia-se à proteção concedida por reis como Bela IV, que em 1251 declarou leis que concediam direitos legais aos judeus e facilitavam a imigração judaica. 

Em contrapartida à proteção aos judeus concedida pela realeza húngara, a Igreja, unida a famílias nobres criou leis anti-semitas como o artigo do Touro Dourado de 1222 que tirava títulos de nobreza de judeus. 

Do ano 1342 ao ano 1382 reinou Luís, o Grande que favoreceu a Igreja Apostólica Romana o que fez o anti-semitismo crescer com rapidez até 1360 quando os judeus foram expulsos do país por quatro anos, acusados de propagarem a Peste Negra. 

O século que se sucedeu foi marcado por um anti-semitismo alarmante que culminou em um libelo de sangue que queimou 16 judeus vivos. 

A Independência Húngara chegou ao fim em 1526, com a batalha de Mohács contra o Império Otomano. Esta guerra dividiu o país em três partes (meridional, oriental, e ocidental), o que dispersou os judeus pela península Balcânica. Quinze anos depois, os otomanos conquistaram Buda, Pest e a antiga Hungria Central. Como os judeus não eram recriminados pelos turcos, podendo exercer diversas profissões e tendo liberdade religiosa, a imigração se intensificou para esta região, principalmente de sefaraditas oriundos da Ásia Menor. 

No final do século XVII uma poderosa dinastia Austríaca chamada de Casa de Habsburgo dominou a região húngara, antes controlada pelos turcos. A proteção concedida aos judeus pelo povo otomano desapareceu rapidamente e logo que a cidade de Buda foi tomada pelas tropas dos Habsburgo, o bairro judeu foi saqueado e aproximadamente quinhentos habitantes foram mortos. Mesmo com a ameaça do anti-semitismo sustentado pelos Habsburgos, a população judaico-húngara triplicou em 35 anos (1700- 1735) devido aos emigrantes alemães, poloneses, morávios, austríacos e galécios. 

A condição de vida dos judeus no império dos Habsburgos dependia dos ideais dos imperadores austríacos, como por exemplo a Imperatriz Maria Theresa, que expulsou o povo de Israel de Buda, e seu sucessor José II, que chegou permitir a moradia de judeus em cidades da realeza. 

Em meados 1800 a população de judeus na Hungria se aproximava de 100 mil pessoas, o que possibilitou a criação de novas grandes comunidades como a que se estabelecia no nordeste húngaro, na região de Rutênia-sob-os-Cárpatos. 

Continua...

Fonte: Chazit Hanoar 
Foto: Rui Pinto

Judeus na Hungria II



Devido ao grande número de judeus que se encontravam nas terras húngaras durante o período ápice do Iluminismo Europeu (a partir da década de 30 do séc. XVIII), a influência judaica no comércio e na política se tornou indispensável, o que fez o rei José II aceitar e incentivar os judeus profissionais para dinamizar a classe média nacional. Este incentivo culminou com a aceitação de judeus como cidadãos húngaros nas décadas de 1830 e 1840. Em troca desta emancipação o povo de Israel teve de sofrer uma aculturação compulsória: eram obrigados a trocar de nome, falar alemão e freqüentar escolas laicas.

Em 1848 uma revolução de húngaros nacionalistas unidos a ativistas judeus se levantou contra o Império Austríaco e sua dominação. A revolução fracassou em tornar a Hungria um país independente. No entanto, a Áustria perdeu a guerra contra a Prússia logo após a revolta, o que enfraqueceu os alicerces de sua monarquia. A fraqueza da dinastia de Habsburgo fez com que nascesse uma nova monarquia dualista e o império passou a se chamar de Império Austro-Húngaro, oficializado no Compromisso de 1867. A Hungria passa a ter autonomia interna, o que faz com que a vida dos judeus melhorasse significativamente. Em 1867 os judeus se emanciparam totalmente e em 1895 o judaísmo passa a ser reconhecido como religião e não mais como nacionalidade, o que transforma os judeus em “húngaros de fé mosaica”.

O desenvolvimento do país se deve grande parte à elite judaica que se encarregou da modernização e industrialização. Além de conceber grande parte da intelectualidade húngara, os judeus representavam 25% da população do país na virada do século XIX, afirmando suas posições de cidadãos imprencidíveis para a estabilidade da Hungria.

A boa situação dos judeus burgueses, porém, nada tinha de parecido com os judeus camponeses, que continuavam pobres. Esta diferença entre o povo e a burguesia podia ser vista nos idiomas falados por cada grupo e por seus valores.

Mesmo com direitos garantidos e vidas asseguradas e estáveis, os judeus húngaros enfrentaram políticas anti-semitas neste período, que culminaram em um libelo de sangue em 1892 na cidade de Tiszaeslar.

A boa condição do povo judeu começou a declinar com a Primeira Guerra Mundial, que começou oficialmente em 1914. Nessa guerra 10 mil judeus morreram no campo de batalha defendendo a Hungria.

Com o fim da guerra, em 1919, o Império Austro-Húngaro foi dissolvido e a Hungria tornava-se um país totalmente autônomo novamente. Os ideais comunistas ganharam força e um governo de esquerda tomou o poder, liderado pelo judeu Bela Kun. Este governo acabou no mesmo ano e ataques anti-semitas começaram a acontecer com freqüência. Até que, em 1938 e 1939, duas leis anti-judaicas foram aprovadas, proibindo diversas atividades econômicas e profissionais aos judeus. Além de ocorrer uma emigração em massa para municípios menores, houve inúmeras conversões para o cristianismo.

Em 1941, a Hungria aliou-se à Alemanha nazista e o anti-semitismo se propagou com força desconhecida até o momento. Uma terceira lei anti-judaica foi escrita discernindo judeus como uma raça inferior.

Os massacres começaram e, de julho de 1941 até janeiro de 1942, 71.000 judeus morreram vítimas da guerra e do anti-semitismo.

Também em 1942, o Partido da Cruz de Setas elegeu o fascista Miklos Kallas como primeiro-ministro e foi projetada uma solução para o “problema judaico” na Hungria.

Mais tarde, em 1944, a Hungria foi ocupada pela Alemanha de Hitler, que alegava que os húngaros não deportavam os seus judeus e, por conseqüência, estavam juntos aos Aliados. Neste período, 63.000 judeus foram mortos.

Em Abril do mesmo ano, Adolph Eichmann decretou que 400.000 judeus fossem deportados para guetos e para Auschwitz.

Em 1945 começou a prática das marchas da morte para deportar os judeus para Áustria. Estima-se que 98.000 judeus perderam suas vidas nestas marchas.

No final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, do número anterior de 865 mil judeus húngaros, apenas 260 mil sobreviveram ao massacre do Holocausto.

Após a guerra, a Hungria foi dominada pelos soviéticos. Estes proibiram o Sionismo e qualquer imigração para Israel e impuseram diversas restrições à comunidade, como a substituição do ensino judaico pelo sistema laico de ensino comunista. Até a década de 60 a comunidade judaica húngara contabilizava 90 mil pessoas, mas este número declinava graças ao regime soviético.

Somente em 1989, com o colapso do comunismo soviético, é que as restrições judaicas tiveram fim, neste período Budapeste abrigava cerca de 20 sinagogas.

Hoje em dia, Budapeste sustenta diversas instituições judaicas e movimentos juvenis que tentam enfrentar os dois maiores problemas presentes na sociedade judaica húngara: o anti-semitismo e a assimilação. Em Budapeste, encontra-se a maior sinagoga da Europa, a Sinagoga da Rua Dohany.

Fonte: Chazit Hanoar
Fotos: Mikix e GeoLocations