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sábado, junho 9

In Liverpool



Lembro de crescer ouvindo a Suzanne Vega em nossa casa.

Tardes de sol... de chuva. Invernos e verões.

Meus pais são fans dessa cantora de voz suave. E hoje, para me fazer mais próximo de casa, num final de tarde, de um quase inverno chuvoso, ouço baladas antigas.

sábado, maio 19

O Órfao Vivo

Recordar os anos da minha juventude na União Soviética no início do Século Vinte traz de volta lembranças esparsas e imagens complicadas. Dentre elas, porém, há alguns quadros completos que estão gravados profundamente em minha mente.

Lembro-me daquela longa noite fria, quando acordei com o som de soluços. Mamãe estava de pé, chorando histericamente, enquanto abanava as mãos no ar. Papai estava de pé, meio vestido, completamente apavorado.

Três jovens vestidos em uniforme estavam andando pelo quarto, examinando os armários e as camas, olhando para as paredes. Vi quando se aproximaram da estante e examinaram cada livro, página por página.

Perguntei-me: O que estão procurando? O que estão procurando? O que eles querem? Vão se sentar e estudar nos livros como fazem mamãe e papai?

E então vi que tinham encontrado aquilo que estavam procurando. Acharam alguns pedaços de papel escritos à mão e uma foto do Rebe de Lubavitch [Rabi Yosef Yitschak Schneersohn, o sexto Rebe – N.E.].

Um apontou para o outro: “Está vendo? Este é Schneersohn!”
Ordenaram então que Papai se vestisse e os acompanhasse. Papai aproximou-se da minha cama, inclinou-se e deu-me um beijo longo, triste. Lágrimas – lágrimas quentes, escaldantes, rolaram pelo seu rosto e caíram na minha testa. Ele então olhou ardentemente para mamãe, com amor nos olhos. Beijou a mezuzá sobre o batente e desapareceu na noite escura.

Somente quando a porta se fechou foi que a minha mente infantil entendeu o quanto era grande a nossa tragédia.

Mamãe começou a chorar: “Oy vey!”

quinta-feira, maio 17

As Pedras No Cemitério



Desci do ônibus na rodoviária de Leicester e olhei para os táxis ali parados.

Minha velha cidade de Leicester não é mais a mesma. Agora é uma cidade assolada pelo crime, e eu estava me sentindo pouco à vontade.

Não disse a ele que desejava ir para o setor judaico. “Antes segura que arrependida”, sempre fora o meu lema.Entrei no táxi e pedi que me levasse ao principal cemitério de Leicester, não muito distante dali.

Por algum motivo nossa seção jamais tinha sido sinalizada, mesmo antes que a nova onda de antissemitismo surgisse. Talvez se presumisse que numa comunidade tão pequena todos soubessem onde era o cemitério sem precisar de informação. Atualmente o website da sinagoga tem um mapa bastante claro que pode ser consultado, dirigindo os visitantes de fora da cidade para o canto separado. Eu apenas disse ao motorista para estacionar o carro ao longo do caminho bem cuidado e esperar – eu demoraria cerca de meia hora, disse a ele, pois estaria visitando túmulos da família.

Enquanto percorria a trilha que levava ao setor judaico, sentia-me perfeitamente à vontade. O local não era estranho para mim. Fazia essa jornada pelo menos uma vez ao ano, quando venho de Jerusalém para visitar minha mãe em Londres.

quarta-feira, maio 16

Carta Para Alguém Que Perdi


Querida Filha,

Lembro-me de segurar você tão pequenina nos meus braços, olhando em seus profundos olhos verde esmeralda. Aqueles olhos eram profundos e brilhavam, antes de se fecharem para sempre.

Eu amei você, cuidei de você, noite e dia. Investi em você, e observei-a crescer à medida que os meses passavam.

Então, certa noite, após alimentá-la às cinco horas, coloquei você no berço pela última vez. Beijei-a e a cobri, e deixei a porta aberta para poder ouvir quando você me chamasse com seu chorinho.

Três horas depois, quando Tatty, seu pai, foi ver por que você tinha nos dado uma dose extra de sono, encontrou você fria. Morte no berço, é assim que chamam. Morte no berço...

Tentamos reanimá-la, fizemos de tudo para o seu pequenino ser. Demos choque em você e a medicamos, tudo, para que pudéssemos ter você conosco novamente, mas você já tinha ido embora para longe.

Sei que quando ficamos sobre o seu corpinho, esperando, esperando que algo acontecesse, você já estava envolta em uma luz intensa.

Estou contente por você. Sinto sua falta. Eu trouxe você ao mundo para ficar comigo, mas você teve de voltar para casa. Sei que é bom para você. Mas mesmo assim, meus braços estão vazios, e sinto e lembro de você com profunda saudade.

Você era minha filha.

segunda-feira, maio 7

O Papa Judeu



Durante o ano de 1086 o trono papal permaneceu vago. Depois foi eleito um novo Papa, que tomou o nome de Victor III. De sua origem, nada se sabia. Após um breve reinado de dois anos, desapareceu misteriosamente. O relato que se inicia, segundo uma crença bem difundida, refere-se ao Papa que foi aquele a quem chamaram “o Papa judeu”.

A antiga cidade de Mainz, nas margens do Reno, era célebre pelos grandes e santos rabinos que ali viviam. Há cerca de novecentos anos, residia lá um jovem erudito no Talmud e poeta religioso, que adquiriu grande notoriedade, tanto pela sua piedade e erudição, como por seus poemas religiosos. Chamava-se Rabi Shimon Hagadol (o Grande).

Certo dia em que se encontrava concentrado na composição de um novo poema, aproximou-se dele silenciosamente seu filho Elchanan, de quatro anos e viu o papel que se encontrava sobre a escrivaninha.
— Oh, papai! — exclamou o pequeno — escreveste meu nome no início de este poema!
— Sim, querido; este poema começa com as palavras: E-l Chanan Nachalató que significam: “D”us está cheio de graça para com seus filhos”. Observe, cada judeu tem parte na herança de D”us, e quando algum de nós se afasta de seu caminho, ou seja, quando se alheia da vida religiosa judaica, D”us em Sua grande misericórdia para com Seus filhos, os ajuda a retornar.

quinta-feira, abril 19

Judeus na Hungria



A história dos judeus na Hungria começa antes do século IX, quando essa ainda era chamada de Panônia e era dominada pelos Romanos. Instalada principalmente nas cidades de Buda, Antiga Buda, Esztergom, Sopron e Tata, a comunidade judaica húngara cresceu a partir do século XI, com a vinda de imigrantes da Alemanha, Boemia e Morávia. 

Exceto por algumas proibições impostas pela Igreja Católica, a vida dos judeus na Hungria foi relativamente fácil até o século XIV. Isso devia-se à proteção concedida por reis como Bela IV, que em 1251 declarou leis que concediam direitos legais aos judeus e facilitavam a imigração judaica. 

Em contrapartida à proteção aos judeus concedida pela realeza húngara, a Igreja, unida a famílias nobres criou leis anti-semitas como o artigo do Touro Dourado de 1222 que tirava títulos de nobreza de judeus. 

Do ano 1342 ao ano 1382 reinou Luís, o Grande que favoreceu a Igreja Apostólica Romana o que fez o anti-semitismo crescer com rapidez até 1360 quando os judeus foram expulsos do país por quatro anos, acusados de propagarem a Peste Negra. 

O século que se sucedeu foi marcado por um anti-semitismo alarmante que culminou em um libelo de sangue que queimou 16 judeus vivos. 

A Independência Húngara chegou ao fim em 1526, com a batalha de Mohács contra o Império Otomano. Esta guerra dividiu o país em três partes (meridional, oriental, e ocidental), o que dispersou os judeus pela península Balcânica. Quinze anos depois, os otomanos conquistaram Buda, Pest e a antiga Hungria Central. Como os judeus não eram recriminados pelos turcos, podendo exercer diversas profissões e tendo liberdade religiosa, a imigração se intensificou para esta região, principalmente de sefaraditas oriundos da Ásia Menor. 

No final do século XVII uma poderosa dinastia Austríaca chamada de Casa de Habsburgo dominou a região húngara, antes controlada pelos turcos. A proteção concedida aos judeus pelo povo otomano desapareceu rapidamente e logo que a cidade de Buda foi tomada pelas tropas dos Habsburgo, o bairro judeu foi saqueado e aproximadamente quinhentos habitantes foram mortos. Mesmo com a ameaça do anti-semitismo sustentado pelos Habsburgos, a população judaico-húngara triplicou em 35 anos (1700- 1735) devido aos emigrantes alemães, poloneses, morávios, austríacos e galécios. 

A condição de vida dos judeus no império dos Habsburgos dependia dos ideais dos imperadores austríacos, como por exemplo a Imperatriz Maria Theresa, que expulsou o povo de Israel de Buda, e seu sucessor José II, que chegou permitir a moradia de judeus em cidades da realeza. 

Em meados 1800 a população de judeus na Hungria se aproximava de 100 mil pessoas, o que possibilitou a criação de novas grandes comunidades como a que se estabelecia no nordeste húngaro, na região de Rutênia-sob-os-Cárpatos. 

Continua...

Fonte: Chazit Hanoar 
Foto: Rui Pinto

Judeus na Hungria II



Devido ao grande número de judeus que se encontravam nas terras húngaras durante o período ápice do Iluminismo Europeu (a partir da década de 30 do séc. XVIII), a influência judaica no comércio e na política se tornou indispensável, o que fez o rei José II aceitar e incentivar os judeus profissionais para dinamizar a classe média nacional. Este incentivo culminou com a aceitação de judeus como cidadãos húngaros nas décadas de 1830 e 1840. Em troca desta emancipação o povo de Israel teve de sofrer uma aculturação compulsória: eram obrigados a trocar de nome, falar alemão e freqüentar escolas laicas.

Em 1848 uma revolução de húngaros nacionalistas unidos a ativistas judeus se levantou contra o Império Austríaco e sua dominação. A revolução fracassou em tornar a Hungria um país independente. No entanto, a Áustria perdeu a guerra contra a Prússia logo após a revolta, o que enfraqueceu os alicerces de sua monarquia. A fraqueza da dinastia de Habsburgo fez com que nascesse uma nova monarquia dualista e o império passou a se chamar de Império Austro-Húngaro, oficializado no Compromisso de 1867. A Hungria passa a ter autonomia interna, o que faz com que a vida dos judeus melhorasse significativamente. Em 1867 os judeus se emanciparam totalmente e em 1895 o judaísmo passa a ser reconhecido como religião e não mais como nacionalidade, o que transforma os judeus em “húngaros de fé mosaica”.

O desenvolvimento do país se deve grande parte à elite judaica que se encarregou da modernização e industrialização. Além de conceber grande parte da intelectualidade húngara, os judeus representavam 25% da população do país na virada do século XIX, afirmando suas posições de cidadãos imprencidíveis para a estabilidade da Hungria.

A boa situação dos judeus burgueses, porém, nada tinha de parecido com os judeus camponeses, que continuavam pobres. Esta diferença entre o povo e a burguesia podia ser vista nos idiomas falados por cada grupo e por seus valores.

Mesmo com direitos garantidos e vidas asseguradas e estáveis, os judeus húngaros enfrentaram políticas anti-semitas neste período, que culminaram em um libelo de sangue em 1892 na cidade de Tiszaeslar.

A boa condição do povo judeu começou a declinar com a Primeira Guerra Mundial, que começou oficialmente em 1914. Nessa guerra 10 mil judeus morreram no campo de batalha defendendo a Hungria.

Com o fim da guerra, em 1919, o Império Austro-Húngaro foi dissolvido e a Hungria tornava-se um país totalmente autônomo novamente. Os ideais comunistas ganharam força e um governo de esquerda tomou o poder, liderado pelo judeu Bela Kun. Este governo acabou no mesmo ano e ataques anti-semitas começaram a acontecer com freqüência. Até que, em 1938 e 1939, duas leis anti-judaicas foram aprovadas, proibindo diversas atividades econômicas e profissionais aos judeus. Além de ocorrer uma emigração em massa para municípios menores, houve inúmeras conversões para o cristianismo.

Em 1941, a Hungria aliou-se à Alemanha nazista e o anti-semitismo se propagou com força desconhecida até o momento. Uma terceira lei anti-judaica foi escrita discernindo judeus como uma raça inferior.

Os massacres começaram e, de julho de 1941 até janeiro de 1942, 71.000 judeus morreram vítimas da guerra e do anti-semitismo.

Também em 1942, o Partido da Cruz de Setas elegeu o fascista Miklos Kallas como primeiro-ministro e foi projetada uma solução para o “problema judaico” na Hungria.

Mais tarde, em 1944, a Hungria foi ocupada pela Alemanha de Hitler, que alegava que os húngaros não deportavam os seus judeus e, por conseqüência, estavam juntos aos Aliados. Neste período, 63.000 judeus foram mortos.

Em Abril do mesmo ano, Adolph Eichmann decretou que 400.000 judeus fossem deportados para guetos e para Auschwitz.

Em 1945 começou a prática das marchas da morte para deportar os judeus para Áustria. Estima-se que 98.000 judeus perderam suas vidas nestas marchas.

No final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, do número anterior de 865 mil judeus húngaros, apenas 260 mil sobreviveram ao massacre do Holocausto.

Após a guerra, a Hungria foi dominada pelos soviéticos. Estes proibiram o Sionismo e qualquer imigração para Israel e impuseram diversas restrições à comunidade, como a substituição do ensino judaico pelo sistema laico de ensino comunista. Até a década de 60 a comunidade judaica húngara contabilizava 90 mil pessoas, mas este número declinava graças ao regime soviético.

Somente em 1989, com o colapso do comunismo soviético, é que as restrições judaicas tiveram fim, neste período Budapeste abrigava cerca de 20 sinagogas.

Hoje em dia, Budapeste sustenta diversas instituições judaicas e movimentos juvenis que tentam enfrentar os dois maiores problemas presentes na sociedade judaica húngara: o anti-semitismo e a assimilação. Em Budapeste, encontra-se a maior sinagoga da Europa, a Sinagoga da Rua Dohany.

Fonte: Chazit Hanoar
Fotos: Mikix e GeoLocations

terça-feira, novembro 22

O Judaísmo E As Mulheres


Como o judaísmo encara as mulheres?

No judaísmo as mulheres são vistas como diferentes dos homens, mas iguais em importância e não - como muitos supõem - inferiores. 

As obrigações das mulheres e suas responsabilidades são diferentes daquelas dos homens, mas isto não significa que são menos importantes. A igualdade entre homens e mulheres se inicia no mais alto nível possível: em D’us. No judaísmo D’us nunca foi visto como um Ser masculino ou com características exclusivamente masculinas. Pelo contrário, Ele tem qualidade masculinas e femininas. De acordo com judaísmo, as mulheres são dotadas com um grau maior de “binah” (intuição, compreensão, inteligência) que os homens. 

Desde os tempos bíblicos mulheres eram altamente respeitadas entre os Filhos de Israel, suas opiniões ouvidas e, em vários casos, foram líderes entre seu povo. Miriam é considerada uma profetisa e um dos libertadores dos Filhos de Israel junto com seus dois irmãos - Moisés e Aaron. Deborah foi uma dos Juízes de Israel. E 7 entre os 55 profetas da Torá eram mulheres.


Morashá

domingo, novembro 13

Tradições: Casamento no Marrocos II


O "Grande vestido", El-keswa el-kebira

Nas terras onde se fixaram os judeus espanhóis, trajar uma noiva merecia grandes preparativos e suntuosidade, sendo comparado aos preparativos de uma rainha para a cerimônia de sua coroação. O vestido da noiva, rico e elaborado, assemelhava-se aos trajes usados pelas rainhas de Espanha. Chamado de "El Gran vestido", ou pelo seu nome árabe, el-keswa el-kebira, durante séculos este majestoso traje foi usado sob a chupá por grande parte das noivas marroquinas, indício da grande influência dos sefaraditas sobre as comunidades judaicas do Marrocos.

quinta-feira, novembro 10

Eu E O Mar Oceano...


Nascido no meio de araucárias, que brotam nas montanhas do Paraná, poderia eu ter-me tornado um homem com os pés plantados em terra firme. Um pesquisador, como o meu avô paterno que se embrenhava pelos contrafortes da serra em busca de pequenos pedaços de rochas e cristais que, depois de minuciosamente catalogados, eram orgulhosamente expostos em uma estante, na sala onde recebia os amigos. Se olhasse para além da serra, poderia ter seguido os passos do outro avô e aprendido a amar a arte de cavalgar, o prazer de ver sair da terra escura a vida em verdes folhas. Ele era um homem que adivinhava a chuva com um simples olhar no céu, que observava as sementes postas na palma de sua grande mão, como que se ali estivesse um grande tesouro.  

Dessa época de geologia e agronomia eu trago muitas lembranças. Histórias fantásticas de descobertas e sonhos. Um tempo em que fui um pequeno soberano de um reino imaginário e lá iniciei minhas primeiras conquistas, para depois dominar o Mar Oceano que se abre desde as Colunas de Hércules e que um dia engoliu Atlântida.

domingo, novembro 6

A Árvore Da Felicidade

A árvore da felicidade é uma planta que está muito ligada a uma tradicional lenda japonesa.  

“Existiu no antigo Japão a lenda de uma árvore mágica que diziam trazer felicidade e realizações a todos que passassem por ela. A pequena Haru morava numa aldeia com sua família e vivia em dificuldades, já ouvira sua avó contar essa lenda, tendo o sonho infantil de encontrar essa árvore. Certa manhã, ela e Anisan, seu irmão, brincavam pelas redondezas quando viram um velhinho sentado em uma pedra e dele se aproximaram. Descobriram que aquele homem vinha de muito longe em busca da Árvore da Felicidade…

sábado, outubro 29

Os Judeus Desconhecidos




Eram tão orgulhosos, por exemplo, que cada família pintava a casa da mesma cor que seus pais. E não sabiam que a cor das casas era uma alusão às suas origens, o sangue que haviam herdado de seus antepassados junto com as casas. Não sabiam que, muitos séculos atrás, os normandos tinham por costume pintar as casas de branco, enquanto os gregos utilizavam sempre o azul, e os árabes distintos tons de rosa e de vermelho. Os judeus por sua vez usavam o amarelo. Contudo, todos eles se consideravam sicilianos. Os sangues haviam sido tão mesclados no decurso dos séculos que já não se podia identificar o proprietário de uma casa por suas feições e, se alguém tivesse dito ao dono de uma casa amarela que tinha antepassados judeus, poderia terminar com uma navalhada no ventre.

O texto acima, de “O siciliano”, de Mário Puzzo, parece nos comprometer a todos. “Os sangues se mesclaram tanto no decurso dos séculos" que escassos mortais sabem quem foram os seus antepassados em 1512, e muito menos em 1250, e nem falar de 711.

segunda-feira, outubro 24

Cumplicidades



Depois de uma hora e meia ao telefone percebi que não vira o tempo passar.
Uma chamada para apenas acertar o envio de alguns documentos, acabou se transformando em uma longa conversa sobre nossos dias e vidas. Uma boa oportunidade de voltar a ouvir suas opiniões sobre meus projetos e planos, fazer do meu avô um oportuno conselheiro. Eu não podia deixar a oportunidade escapar, porém, lembrei dos fusos horários, de seus hábitos noturnos e encaminhei as despedidas. Ele sorriu e brincou que deveríamos ter outra conversa de Budapest.


segunda-feira, outubro 17

Em Minha Mente


E uma cena tão comum nos meus dias, acabou mais uma vez lembrar-me da minha mãe.

Não que não a tenha aqui, presente sempre. Mas um lembrar diferente, especial... aquele lembrar tão intenso que chego a sentir o seu perfume, o seu calor.. a sua presença.

Vi um movimento apressado na marina. Era o Heitor, que amparado por dois amigos foi trazido até o deck, onde sentou contorcendo-se de dor; os dois amigos olhavam meio que horrorizados e logo trataram de correr para chamar outros, tão logo a Iris se aproximou e  agachou-se ao lado do ferido e lá ficou. Daqui do meu posto não tinha idéia do tamanho do estrago e só observei a cena.


domingo, outubro 16

Sobrenomes


Os judeus ashkenazim dão a seus filhos os nomes dos ascendentes falecidos. Isso tem a ver com a crença no restabelecimento da alma e com a honra e recordação do morto. Se pudesse seguir sua árvore genealógica, alguém que se chame Moisés encontraria tataravôs chamados Moisés a cada três gerações.

Os judeus sefaradim dão a seus filhos o nome dos avôs, que geralmente estão vivos. Assim, numa árvore genealógica sefaradí vai-se encontrar o mesmo nome a cada uma geração em média. Se alguém ler a história da Espanha não saberá às vezes distinguir quem morreu e quem continua vivo. Será o avô ou o neto?