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sábado, maio 5

The Book, The Life, The Afterlife



Dos seis milhões de judeus assassinados no Holocausto o único rosto que conhecemos intimamente pertence a Anne Frank. 

Mas este é apenas o ponto de partida de Anne Frank: The Book, The Life, The Afterlife escrito pela romancista e ensaísta Francine Prose, um soberbo trabalho de história, biografia e crítica. Francine Prose tem algo de novo e importante a dizer acerca da jovem cujo diário foi simultaneamente celebrado e explorado, usado e abusado, e a autora rejeita a noção habitual de Anne Frank como “espevitada mensageira adolescente de paz e amor”. 

Em vez disso, Francine Prose aborda de forma corajosa a identidade judaica de Anne Frank, a sua sexualidade, as posições políticas da sua família e as suas ambições literárias — tudo distorcido, quando não meramente ignorado por todos os que têm usado e abusado do diário para seu proveito próprio. Acima de tudo, Francine Prose permite que olhemos para Anne Frank não apenas como uma vítima de um crime contra a humanidade, mas também como uma jovem escritora com um grande talento.

Indicação do Nuno Josué, na Rua da Judiaria.

A Vida Segue...


Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas.
Que já têm a forma do nosso corpo.
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares.

É o tempo da travessia.
E se não ousarmos fazê-la.
Teremos ficado para sempre.
À margem de nós mesmos.

Fernando Pessoa

Em Tempo

Havia aqui no Moshav uma postagem anterior, intitulada A Vida É Uma Só!

Nela eu publicava um poema, chamado Mude. Bem, na verdade eu não sabia que assim se chamava.

Ocorreu que o texto me foi enviado pela sempre simpática Ludmila, que colocou-o no corpo de um longo e agradável e-mail, quando alertava-me da necessidade que temos todos nós de mudarmos, ou iniciarmos mudanças em nossas vidas e no nosso viver. Pois bem, o poema acabou por me fazer conhecer o verdadeiro autor, o Sr. Edson Marques, que me contactou informando da autoria e muito cortês, observou da minha gravíssima falta ao ignorar os direitos do verdadeiro autor.

Decidi, após conversa com o Seu Benjamin, meu pai, retirar o post do blog. Não importa se publiquei de boa fé, se imaginava que aquelas palavras eram ou não da Ludmila - que costuma escrever coisas muito bonitas - importa sim, que o erro foi cometido ao não pesquisar mais a autoria de tão interessante poema.

Desde o início tenho procurado creditar a autoria daquilo que aqui é publicado, quando não o faço é por não ter a segurança da verdadeira autoria.

Em tempo, para quem desejar tomar conhecimento não só do poema, como da obra do Sr Edson Marques, recomendo adquirir o livro Mude, publicado pela Pandabooks, com prefácio de Antonio Abujamra, segundo informações do Autor.

Desde já peço sinceras desculpas pelo erro cometido e espero não ter causado nenhum aborrecimento ao Sr. Edson Marques.

quinta-feira, maio 3

O Pai Judeu



Um pai judeu, com a melhor das intenções, enviou o filho para o colégio mais caro da comunidade judaica. Apesar das suas intenções, Samuel não ligava às aulas.


Notas do primeiro mês:

Matemática 2
Geografia 3.5
Historia 1.7
Literatura 2
Comportamento 0

Estas espantosas classificações repetiam-se até que o pai se cansou:

- Samuel ouve bem o que te vou dizer, se no próximo mês as tuas notas e o teu comportamento não melhorarem, vou-te mandar estudar para um colégio católico.

No mês seguinte as notas do Samuel foram uma tragédia, só comparável e o pai cumpriu a sua palavra. Através de um rabino próximo da sua família, contactou com um bispo que lhe recomendou um bom colégio franciscano para o qual Samuel foi enviado.

quinta-feira, abril 26

Os Prejuizos Da Inércia Diária


E aí que você acorda – e não tem coragem de desligar o despertador. De soneca em soneca, se arrasta até os 45 do segundo tempo. Você vai pro seu trabalho do qual nem gosta tanto – mas é confortável, a grana é razoavelmente boa, seu chefe não dá muito as caras por lá. E no fim do dia volta pra casa, pra encontrar a mulher de quem gosta, mas pela qual já não sente mais aquela paixão motivadora.

E você conta os dias, espera que as horas passem rápido – pra chegar aonde mesmo? Esse é um exemplo típico de uma vida levada pela inércia. Você não vive – você faz peso no mundo.

Até que, certo dia, encontra algo que traz de volta o brilho no olho. Pode ser um esporte, talvez uma nova direção na carreira, talvez um novo amor. E esse algo é como combustível injetado nas veias – de repente, sair da cama não é mais tão difícil, seu trabalho já não é mais tão monótono e aquela mulher te faz querer ir mais longe. Parabéns, você encontrou o que te move. E isso é uma coisa difícil na vida – tem gente que só consegue tal façanha, quando já se aposentou – talvez por ter tido tempo pra olhar pra suas paixões. Nunca é tarde.

sexta-feira, abril 20

Planeta Terra


Toda a beleza das imagens e da música.

Matsuri. Kitaro

Images: NatGeo / BBC
Compilation and editing: Perruci


Shabbat shalom



Shabbat shalom (שַׁבָּת שָׁלוֹם) cumprimento comum usado no Shabat, sendo muito utilizado em comunidades Mizrahi, Sefaradi e em Israel. Algumas comunidades asquenazi usam o termo iídiche Gut shabbes.

Rio de Janeiro - Dance Dance



Quero ver você chegar, iluminar a noite
Eu paro só pra ver você deixar de lado toda minha pressa
Quero ver você dançar. O que mais interessa?
Quero ver você no baile, quero ver você na festa

Há algum pensamento bom, qualquer lugar, lugar nenhum
Um desencontro na cidade é a coisa mais do que comum
Eu parado na paisagem sou mais um João, solto na periferia,
Sou de São Sebastião

quinta-feira, abril 19

Judeus na Hungria



A história dos judeus na Hungria começa antes do século IX, quando essa ainda era chamada de Panônia e era dominada pelos Romanos. Instalada principalmente nas cidades de Buda, Antiga Buda, Esztergom, Sopron e Tata, a comunidade judaica húngara cresceu a partir do século XI, com a vinda de imigrantes da Alemanha, Boemia e Morávia. 

Exceto por algumas proibições impostas pela Igreja Católica, a vida dos judeus na Hungria foi relativamente fácil até o século XIV. Isso devia-se à proteção concedida por reis como Bela IV, que em 1251 declarou leis que concediam direitos legais aos judeus e facilitavam a imigração judaica. 

Em contrapartida à proteção aos judeus concedida pela realeza húngara, a Igreja, unida a famílias nobres criou leis anti-semitas como o artigo do Touro Dourado de 1222 que tirava títulos de nobreza de judeus. 

Do ano 1342 ao ano 1382 reinou Luís, o Grande que favoreceu a Igreja Apostólica Romana o que fez o anti-semitismo crescer com rapidez até 1360 quando os judeus foram expulsos do país por quatro anos, acusados de propagarem a Peste Negra. 

O século que se sucedeu foi marcado por um anti-semitismo alarmante que culminou em um libelo de sangue que queimou 16 judeus vivos. 

A Independência Húngara chegou ao fim em 1526, com a batalha de Mohács contra o Império Otomano. Esta guerra dividiu o país em três partes (meridional, oriental, e ocidental), o que dispersou os judeus pela península Balcânica. Quinze anos depois, os otomanos conquistaram Buda, Pest e a antiga Hungria Central. Como os judeus não eram recriminados pelos turcos, podendo exercer diversas profissões e tendo liberdade religiosa, a imigração se intensificou para esta região, principalmente de sefaraditas oriundos da Ásia Menor. 

No final do século XVII uma poderosa dinastia Austríaca chamada de Casa de Habsburgo dominou a região húngara, antes controlada pelos turcos. A proteção concedida aos judeus pelo povo otomano desapareceu rapidamente e logo que a cidade de Buda foi tomada pelas tropas dos Habsburgo, o bairro judeu foi saqueado e aproximadamente quinhentos habitantes foram mortos. Mesmo com a ameaça do anti-semitismo sustentado pelos Habsburgos, a população judaico-húngara triplicou em 35 anos (1700- 1735) devido aos emigrantes alemães, poloneses, morávios, austríacos e galécios. 

A condição de vida dos judeus no império dos Habsburgos dependia dos ideais dos imperadores austríacos, como por exemplo a Imperatriz Maria Theresa, que expulsou o povo de Israel de Buda, e seu sucessor José II, que chegou permitir a moradia de judeus em cidades da realeza. 

Em meados 1800 a população de judeus na Hungria se aproximava de 100 mil pessoas, o que possibilitou a criação de novas grandes comunidades como a que se estabelecia no nordeste húngaro, na região de Rutênia-sob-os-Cárpatos. 

Continua...

Fonte: Chazit Hanoar 
Foto: Rui Pinto

Judeus na Hungria II



Devido ao grande número de judeus que se encontravam nas terras húngaras durante o período ápice do Iluminismo Europeu (a partir da década de 30 do séc. XVIII), a influência judaica no comércio e na política se tornou indispensável, o que fez o rei José II aceitar e incentivar os judeus profissionais para dinamizar a classe média nacional. Este incentivo culminou com a aceitação de judeus como cidadãos húngaros nas décadas de 1830 e 1840. Em troca desta emancipação o povo de Israel teve de sofrer uma aculturação compulsória: eram obrigados a trocar de nome, falar alemão e freqüentar escolas laicas.

Em 1848 uma revolução de húngaros nacionalistas unidos a ativistas judeus se levantou contra o Império Austríaco e sua dominação. A revolução fracassou em tornar a Hungria um país independente. No entanto, a Áustria perdeu a guerra contra a Prússia logo após a revolta, o que enfraqueceu os alicerces de sua monarquia. A fraqueza da dinastia de Habsburgo fez com que nascesse uma nova monarquia dualista e o império passou a se chamar de Império Austro-Húngaro, oficializado no Compromisso de 1867. A Hungria passa a ter autonomia interna, o que faz com que a vida dos judeus melhorasse significativamente. Em 1867 os judeus se emanciparam totalmente e em 1895 o judaísmo passa a ser reconhecido como religião e não mais como nacionalidade, o que transforma os judeus em “húngaros de fé mosaica”.

O desenvolvimento do país se deve grande parte à elite judaica que se encarregou da modernização e industrialização. Além de conceber grande parte da intelectualidade húngara, os judeus representavam 25% da população do país na virada do século XIX, afirmando suas posições de cidadãos imprencidíveis para a estabilidade da Hungria.

A boa situação dos judeus burgueses, porém, nada tinha de parecido com os judeus camponeses, que continuavam pobres. Esta diferença entre o povo e a burguesia podia ser vista nos idiomas falados por cada grupo e por seus valores.

Mesmo com direitos garantidos e vidas asseguradas e estáveis, os judeus húngaros enfrentaram políticas anti-semitas neste período, que culminaram em um libelo de sangue em 1892 na cidade de Tiszaeslar.

A boa condição do povo judeu começou a declinar com a Primeira Guerra Mundial, que começou oficialmente em 1914. Nessa guerra 10 mil judeus morreram no campo de batalha defendendo a Hungria.

Com o fim da guerra, em 1919, o Império Austro-Húngaro foi dissolvido e a Hungria tornava-se um país totalmente autônomo novamente. Os ideais comunistas ganharam força e um governo de esquerda tomou o poder, liderado pelo judeu Bela Kun. Este governo acabou no mesmo ano e ataques anti-semitas começaram a acontecer com freqüência. Até que, em 1938 e 1939, duas leis anti-judaicas foram aprovadas, proibindo diversas atividades econômicas e profissionais aos judeus. Além de ocorrer uma emigração em massa para municípios menores, houve inúmeras conversões para o cristianismo.

Em 1941, a Hungria aliou-se à Alemanha nazista e o anti-semitismo se propagou com força desconhecida até o momento. Uma terceira lei anti-judaica foi escrita discernindo judeus como uma raça inferior.

Os massacres começaram e, de julho de 1941 até janeiro de 1942, 71.000 judeus morreram vítimas da guerra e do anti-semitismo.

Também em 1942, o Partido da Cruz de Setas elegeu o fascista Miklos Kallas como primeiro-ministro e foi projetada uma solução para o “problema judaico” na Hungria.

Mais tarde, em 1944, a Hungria foi ocupada pela Alemanha de Hitler, que alegava que os húngaros não deportavam os seus judeus e, por conseqüência, estavam juntos aos Aliados. Neste período, 63.000 judeus foram mortos.

Em Abril do mesmo ano, Adolph Eichmann decretou que 400.000 judeus fossem deportados para guetos e para Auschwitz.

Em 1945 começou a prática das marchas da morte para deportar os judeus para Áustria. Estima-se que 98.000 judeus perderam suas vidas nestas marchas.

No final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, do número anterior de 865 mil judeus húngaros, apenas 260 mil sobreviveram ao massacre do Holocausto.

Após a guerra, a Hungria foi dominada pelos soviéticos. Estes proibiram o Sionismo e qualquer imigração para Israel e impuseram diversas restrições à comunidade, como a substituição do ensino judaico pelo sistema laico de ensino comunista. Até a década de 60 a comunidade judaica húngara contabilizava 90 mil pessoas, mas este número declinava graças ao regime soviético.

Somente em 1989, com o colapso do comunismo soviético, é que as restrições judaicas tiveram fim, neste período Budapeste abrigava cerca de 20 sinagogas.

Hoje em dia, Budapeste sustenta diversas instituições judaicas e movimentos juvenis que tentam enfrentar os dois maiores problemas presentes na sociedade judaica húngara: o anti-semitismo e a assimilação. Em Budapeste, encontra-se a maior sinagoga da Europa, a Sinagoga da Rua Dohany.

Fonte: Chazit Hanoar
Fotos: Mikix e GeoLocations

quarta-feira, dezembro 14

A Quem Pertence?

Perto de Tóquio vivia um grande samurai,  já idoso que se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar da sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Queria derrotar o samurai e aumentar a sua fama. O velho aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais.

sábado, dezembro 10

El Rey Dom Pedro l De Portugal

Como elRei mandou degollar dous seus criados, porque roubarom huum judeu e o matarom...

Crónica de D. Pedro I - Rei de Portugal

Este Rei Dom Pedro em quanto viveo, husou muito de justiça sem afeiçom, teendo tal igualdade em fazer direito, que a nenhuum perdoava os erros que fazia, por criaçom nem bem querença que com el ouvesse; e se dizem que aquel he bem aventurado Rei, que per si escodrinha os malles e forças que fazem os pobres, e bem he este do conto de taaes, ca el era ledo de os ouvir, e folgava em lhes fazer direito, de guisa que todos viviam em paz, e era ainda tam zeloso de fazer justiça, espeçiallmente dos que travessos eram, que perante si os mandava meter a tormento, e se confessar nom queriam, el se desvestia de seus reaaes panos, e per sua maão açoutava os malfeitores, e pero que dello muito prasmavom seus conselheiros e outros alguuns, anojavasse de os ouvir, e nom o podiam quitar dello per nenhuuma guisa. 

sexta-feira, dezembro 9

Vivo E Firme... Como Uma Rocha


Moisés tinha 120 anos quando deixou este mundo. Este tempo de vida é considerado o ideal. Na tradição judaica uma forma de abençoar uma pessoa é dizendo: "Que você possa viver até os 120 anos".

quinta-feira, dezembro 8

A Árvore De Natal...


O Baobá e o Poeta

Uma árvore que floresce durante o verão do hemisfério sul e as flores duram breves e leves 24 horas. Breve, aqui, é um tempo relativo como todos os outros tempos. Comparando-o com a trajetória do poeta, o baobá é mais que uma espécie rara e carregada de pecularidades. Possui vida longa, milenar, porém florida com cores em crescente e rápida harmonia: desabrocha de um botão verde, surgindo branca, depois creme, marrom e, por fim, violeta aveludado. Assim é a flor do baobá. Assim é feita, em tons diversos e coerentes, a vida do homem-árvore.

quarta-feira, dezembro 7

O Judeu




Que delito fiz eu...


"...Que delito fiz eu para que sinta
O peso desta aspérrima cadeia
Nos horrores de um cárcere penoso,
Em cuja triste, lôbrega morada,
Habita a confusão e o susto mora ?
Mas se acaso, tirana, estrela ímpia,
É culpa o não ter culpa, eu culpa tenho;
Mas se a culpa que tenho não é culpa,
Para que me usurpais com impiedade
O crédito, a esposa e a liberdade ?"


António José da Silva, "O Judeu"
(Rio de Janeiro, 8 de Maio de 1705 - Lisboa, 19 de Outubro de 1739)

terça-feira, dezembro 6

Quatro Cidades Sagradas



As "Quatro Cidades Sagradas", é uma designação usada na tradição judaica, para se referir às cidades de Jerusalém, Hebron, Tiberíades e Safed.

Mapa fora de escala do século XIX, das quatro cidades sagradas do judaísmo, com Jerusalém ocupando o quadrante superior direito, Hebron logo abaixo, o rio Jordão correndo de cima para baixo, Safed no quadrante superior esquerdo, e Tiberíades por baixo. Cada uma das quatro cidades inclui representações dos locais sagrados, assim como túmulos de rabinos famosos e considerados como homens "santos".

Minha Vida


A verdadeira função do homem é viver, não existir. Eu não gastarei os meus dias a tentar prolongá-los. Usarei o meu tempo.

Jack London